A psicanalista alagoana Débora Guedes, que é também terapeuta de casais, palestrante e, agora, escritora, chamou a atenção no começo deste mês com o lançamento - no Brasil e nos Estados Unidos - de seu primeiro livro, o provocante “Como reconhecer um canalha”, pela editora Livre Press.  

A ideia de escrevê-lo surgiu depois que ela mesma foi vítima de um “canalha”, que chegou a simular um infarto (o caso é relatado, com mais detalhes, no livro): “Quando contei essa história a uma amiga, ela disse: ‘Você tem tanta informação para alertar mulheres’. Então, na hora, exclamei como se fosse um ‘eureca’: Amiga, o livro será Como Reconhecer um Canalha!", conta Débora.

A escritora utilizou as próprias histórias como pano de fundo para falar sobre padrões emocionais de mulheres que "atraem" esse tipo de homem: “Juntei psicanálise, terapia do esquema, tracei os perfis dos narcisistas, psicopatas, Dons Juans, caminhando pelos relacionamentos abusivos, passando pelas cartilhas das polícias, falando sobre estelionato sentimental e culminando no amor. Pois homens bons existem. Mas a mulher também precisa reconhecê-lo”. 

Depois de tentar lançar o livro por uma editora comercial e algumas independentes, a psicanalista foi apresentada, por uma amiga, à tradutora Sandra Alex, fundadora da Livre Press. “Ela aceitou editar o livro e o presente maior é saber que ele foi lançado no Brasil e nos Estados Unidos, pois a Sandra tem uma filial da editora nos EUA”.

Segundo Débora, em uma livraria tradicional, sua obra seria colocada na prateleira de autoajuda, “mas gosto de dizer que ele é de autoconhecimento. Pois as mulheres encontrarão uma amiga contando suas próprias histórias, entrelaçadas aos conceitos de terapia do Esquema, Psicanálise e uma pesquisa profunda sobre psicopatas, narcisistas e dons juans". 

Ela acrescentou que fez até uma pesquisa nas cartilhas das polícias civis de São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, no capítulo que aborda o estelionato sentimental: "E faço um adendo sobre a falta desse tipo de cartilha na Polícia Civil de Alagoas. Procurei bastante, vi até matéria de algo parecido, mas o PDF não está disponível”. 

Transição de carreira

Ao blog, a escritora contou ainda um pouco sobre os caminhos que a trouxeram até aqui. Embora seu sonho fosse ser médica, sua primeira formação foi como radialista, profissão na qual atuou durante 15 anos, nas áreas de assessoria e rádio.  

“Nesta época na qual trabalhava na comunicação, alimentava a paixão pela área da saúde e em 2011, me graduei como fisioterapeuta, atuei 10 anos como fisioterapeuta pélvica tratando disfunções sexuais femininas. Em 2019 enfrentei um divórcio muito difícil e perdi tudo. Não tinha dinheiro nem para ir trabalhar. Andava do Vergel até a Jatiúca a pé para atender. Antes da pandemia iniciei a terapia e durante a pandemia, surgiu um anúncio de um curso de psicanálise e me inscrevi para concorrer a uma bolsa de estudos. Fui aprovada, e cá estou. Fiz transição de carreira e hoje atuo apenas no desenvolvimento humano, área que sou apaixonada”. 

“A sua porta ainda está aberta?”

Voltando ao livro, questionada sobre “como reconhecer um canalha’, Débora explica que é difícil resumir, “pois cada mulher atrai um tipo de canalha diferente, por conta de seus padrões emocionais, e é apenas reconhecendo seus padrões, que ela percebe o tipo de homem que está atraindo. Por exemplo: porque uma mulher se atrai por um certo tipo de homem? Porque quando surge um homem bom, honesto, que deseja um relacionamento sério, algumas mulheres acham esse tipo ‘sem graça’?”. 

Ao blog, a escritora deu um spoiler de pelo menos seis sinais de alerta:

1 - Ele diz uma coisa e faz outra 

2 - Ele diz que gosta, mas não assume relacionamento 

3 - Ele quer que tudo avance muito rápido 

4 - Ele manipula, fazendo com que a mulher duvide de sua sanidade mental 

5 - Ele pede dinheiro. Começa pedindo pouco e depois o golpe acontece 

6 - Se faz de vítima

“A verdade é como uma luz: pequena, porém, poderosa. Quando acesa, mostra tudo o que estava oculto e neste momento as coisas são vistas como elas realmente são. É melhor encarar uma solidão inteira, do que viver meias verdades, meios amores, muitas migalhas, em relacionamentos com picos de emoção e vales de arrependimento. É preciso saber que onde a angústia está, esse é o lugar que devemos observar, pois a angústia tem algo a nos dizer e precisamos escutá-la. O canalha pode ser qualquer um: ele não tem cor, não tem raça, não tem classe social, nem profissão específica. Ele está por aí, caçando suas vítimas, que ainda não olham para dentro de si, na busca do autoconhecimento. Canalhas, só entram se a porta estiver aberta. A pergunta que fica é: A sua, ainda está?”, finalizou.

Por enquanto, a versão online de Como reconhecer um canalha pode ser adquirida na Amazon e a versão física, no site da editora: www.livrepress.com.br.

Fotos: Cortesia