Depois de escapar da morte na trama golpista de Jair Bolsonaro e sua gang, Lula foi bater no hospital. Como se sabe, a Polícia Federal descobriu que o núcleo duro no governo do capitão da tortura planejou os assassinatos do presidente da República, do vice Geraldo Alckmin e do ministro do STF Alexandre de Moraes. Deu tudo errado, e parte da quadrilha – que inclui vários generais – cumpre agora prisão preventiva.

Lula saiu ileso de eventual emboscada bolsonarista, mas acabou abatido num acidente doméstico. Sobreviveu. Depois de levar um tombo no banheiro, o presidente passou por cirurgia e, esta semana, voltou a ser internado às pressas após sentir fortes dores de cabeça e mal-estar. Teve de se submeter a nova intervenção cirúrgica. Segundo os médicos, o petista deve receber alta nos próximos dias, mas vai diminuir o ritmo.

Lula é um cara de 79 anos de idade, o que requer cuidados específicos para que a rotina corra com segurança. Para tristeza de Fábio Costa, Leonardo Dias e outros democratas, o presidente parece ser duro na queda. Delinquentes da extrema direita chafurdam no esgoto das redes sociais com as mais sórdidas manifestações sobre o momento vivido pelo chefe da nação. Em nome da política, a empatia é ficção científica.

O tranco na saúde do mandatário, além do aspecto pessoal, gera especulações e movimentos em duas frentes. Primeiro, o governo está no meio de uma maratona de negociações e votações cruciais no Congresso Nacional. Com Lula fora da linha de frente, as lideranças governistas precisam redobrar os cuidados e caprichar nas estratégias para avançar com os projetos. A oposição só pensa em sabotagem.

Um segundo aspecto, claro, são as eleições de 2026. A profusão de hipóteses acerca de um possível impedimento de Lula nas urnas atiça os rumores sobre um substituto. Ao mesmo tempo, a imprensa analisa nomes que podem se tornar presidenciáveis, com e sem o petista no jogo. O clima estará nas alturas logo no começo do ano que vem.

Para fechar, algumas palavras sobre transparência nas informações sobre a saúde de autoridades. Não houve muito barulho no caso de Lula, mas, ainda assim, há os que “denunciem” que a verdade está sendo sonegada pelos médicos. Não há nada que autorize tais desconfianças, mas e daí? Uma boa teoria da conspiração, bem armada e reproduzida sem limites, dá a uma trapaça a ilusão de realidade realista.