A parceria entre o CadaMinuto e o instituto de pesquisas Ibrape chegou ao sexto processo eleitoral e, particularmente nessa eleição, que envolveu boa parte dos 102 municípios alagoanos, o saldo foi bastante positivo, com mais de 90% de acerto de nomes e números. Os diretores do Ibrape, Francivaldo e Filipe Diniz, conversaram com o CadaMinuto sobre a análise do que foi esse pleito eleitoral, as mudanças que aconteceram ao longo do tempo e as projeções para o futuro da política alagoana. Veja abaixo a entrevista na íntegra:
O índice de vitória dos prefeitos reeleitos ou feitos pela situação em Alagoas ultrapassou os 90%. Quais os motivos que ocasionaram isso?
A grande aprovação dos prefeitos, que nessa eleição um prefeito com 70% de aprovação poderia ser considerado mal aprovado em comparação ao restando. Acredito que se dela pelo grande volume de recursos obtidos por eles, seja através de emendas, seja através de auxílio do governo, além da concessão da água que ocasionou um acréscimo no caixa das prefeituras.
O Ibrape acertou todos os prefeitos que foram eleitos, mas quais os municípios que vocês tiveram mais dificuldade em acertar? E por quê?
Não é um município específico, mas alguns municípios têm particularidades próprias, que a gente sabe que apesar dos números indicarem um numero, sabe-se que há uma forte pressão que faz os números da oposição ficarem represados, como exemplo, podemos citar Estrela de Alagoas, que apesar das pesquisas apontarem uma vantagem para o candidato do prefeito, o alto número de pessoas que se recusavam a responder, bem como o número da espontânea o de indecisos indicava uma vitória da oposição.
Em alguns municípios, os pesquisadores do instituto foram hostilizados por grupos ou cabos eleitorais de alguns candidatos. Há um temor que esse tipo de ação aconteça com mais frequência em outras eleições?
Essas eleições apesar de poucas cidades estarem de fato em situação de disputa forte, essas cidades foram muito quentes, como por exemplo Taquarana e Lagoa da Canoa. Havendo inclusive casos de pesquisadores sendo ameaçados para passar o resultado da pesquisa. É um problema que ocorre em razão da grande polarização existente em todo o brasil que se replica em alagoas.
Quais os grupos e políticos que saíram como vencedores dessa eleição? E quem se deu mal?
Acredito que os vencedores foram os atuais prefeitos das cidades, uma vez que somente 4 cidades a oposição saiu vencedores, em especial os das maiores cidades de alagoas, tendo em vista que ao se analisar as 20 maiores cidades de alagoas, em todas elas o prefeito se reelegeu ou elegeu o sucessor, em muitos casos com uma grande diferença, chegando a ultrapassar os 80% dos votos validos, situação incomum em comparação a pleitos passados.
As eleições municipais servem como parâmetro para se definir que a direita hoje tem uma tendência de voto maior que o campo progressista?
Acredito que não necessariamente, uma vez que aqui em alagoas especificamente, não houve um indício de votos obtidos através de ideologia, mas sim da máquina pública e da aprovação da administração.
Existe espaço ainda para que quem não seja profissional da política consiga almejar sucesso em um processo eleitoral?
Está cada vez mais difícil, especialmente em virtude da grande profissionalização que os prefeitos vêm tendo em suas gestões, ao contrário do que acontecia a algum tempo atrás, sejam políticos de velha ou da nova geração, todos se profissionalizaram muito mais, em todos os setores da administração.
Qual a importância de um grupo político fazer pesquisa com frequência?
É de fundamental importância e não somente durante o pleito eleitoral, uma vez que somente através da pesquisa frequente há como saber quais as demandas e problemas da população, visto que, por muitas vezes as informações chegam aos gestores de maneira enviesada, levada com interesse pelos intermediários. Ademais este ano iniciamos um projeto muito exitoso com pesquisas qualitativas, que dão um norte muito maior para os candidatos, uma vez que nessas pesquisas buscamos saber os porquês dos votos, os porquês de rejeições, bem como o que o eleitor está buscando em um candidato, o que ele pensa sobre os apoios e influências eleitorais, e varias outras perguntas que apenas por meio dessa pesquisa conseguem ser respondidas.
Em especifico aos pleitos eleitorais, a frequência das pesquisas é muito importante para identificar as famosas “ondas”, saber se a campanha está com algum problema ou se deve manter o caminho que vem trilhando.
Qual a maior surpresa positiva e a maior decepção na eleição da Câmara de vereadores de Maceió, em relação ao que diziam os levantamentos dos institutos de pesquisa?
No geral, não houve grandes surpresas na eleição da câmara dos vereadores, salvo a situação dos candidatos do União Brasil que não apareciam de forma clara nas pesquisas, tendo em vista serem votos mais soltos, e apareceram com força nas urnas. No restante, todos os eleitos, apareciam disputando a vaga, não sendo favoritos, mas disputando.
Foi percebido também um certo “ativismo judicial” com advogados que trabalham para as coligações tentando impedir a divulgação de pesquisas?
Sim, cada vez mais as bancas jurídicas dos candidatos tentam “ de toda a forma” atrapalhar ou impedir a divulgação de pesquisas, mas a Justiça Eleitoral tem analisado de forma cada vez mais recorrente e afastado as alegações ‘não técnicas” que alguns advogados tentam usar para impedir a divulgação de pesquisas, esse ano tivemos o exemplo de Palmeira dos Índios, onde uma das coligações tentou de toda forma, inclusive com ataques e “Fake News” na mídia local tentar impedir a divulgação da pesquisa, no final a pesquisa bateu exatamente com o resultado das urnas.
