“Fui forçado a votar pelo impeachment da Dilma, que eu não queria votar. Mas fui forçado a votar. E eu fui execrado pelo PT”. São palavras de Cícero Almeida, ex-prefeito de Maceió. “Eu não queria ser deputado federal. Eu fui forçado. Então foi registrada a candidatura. E eu fui pra rua, tive que ir pra rua”. De novo, Almeida, que também foi vereador e deputado federal. Um político exposto por ele mesmo.

“Se eu tivesse saído candidato a governador em 2010, minha vida política acabaria ali”. Sim, mais uma vez é Cícero Almeida, num terceiro ato de confissão de sua “firmeza” na hora de tomar decisões graves a respeito de sua própria vida. Antes de meu comentário, uma última declaração do ex-prefeito: “Fui muito perseguido”. Almeida revelou tudo isso aos jornalistas Ricardo Mota e Carlos Melo, na entrevista ao CM Cast. 

Ele está de volta a uma campanha eleitoral, agora como candidato a vereador em Maceió. Na entrevista ao CM, vemos alguém a desfiar uma coleção de episódios nos quais teria sido vítima do sistema bruto. Não há dúvida de que o jogo da política tem o lado abrutalhado. Os bastidores obscuros guardam lances que jamais virão aos holofotes dos rituais oficiais e das declarações protocolares. Mas Almeida não é um inocente.

Exposto, portanto, em suas próprias palavras, o ex-prefeito ficou menor. Lamento que um parlamentar não tenha higidez de princípios diante de um caso como o impeachment de Dilma Rousseff. Votar pela deposição de uma presidente da República por ser incapaz de resistir a pressões?! Que homem público é este? Não adianta dizer, como ele faz, que os que o obrigaram àquele voto agora estão no governo do PT. É irrelevante.

Não quero aqui crucificar o ex-deputado. Claro, ele não é o primeiro nem será o último a ceder a pressões para votar assim ou assado. Mas apelar para o “todo mundo faz” não ajuda em nada – ao contrário, piora as coisas. A confissão de Almeida sobre seu voto pelo impeachment de Dilma é uma peça política escandalosa. E é algo pedagógico, pois nos mostra – em exemplo concreto – o raquitismo ético no exercício da política.

Ao informar que foi candidato a deputado federal contra sua vontade – ele queria mesmo um mandato de deputado estadual –, Almeida se complica ainda mais. Diz que, caso não aceitasse as imposições de um grupo, sua gestão na prefeitura seria alvo de ação no Tribunal de Contas. Ora, se não havia nada de errado, por que fazer o que não queria? Ao revelar que cedeu ao jogo sujo, dá margem para suspeitas sobre suas contas.

O caso mais leve é a eleição de 2010, quando afirma que pretendia sair candidato a governador, mas, de novo, se curvou às ordens de terceiros. Em todas essas lambanças, o ex-prefeito tenta se explicar jogando para outros a decisão que, no fim das contas, era sua. Terceirizar a responsabilidade por escolhas erradas não é o bom caminho para quem pretende retomar a trajetória. Revela uma tibieza reincidente.

O personagem em questão teve carreira fulminante – da vereança a prefeito, passando pelos mandatos na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal. Em 2018, tentou novo mandato de deputado estadual, mas teve pouco mais de 8 mil votos. Aos 66 anos de idade, José Cícero Soares de Almeida está no ostracismo com essa coleção de fraquezas confessadas. Busca um recomeço agora. Soberano, o eleitor decidirá.