Quando penso em Pelé penso, também, no meu pai, o mestre funileiro.

 Meu pai morreu tem pra mais de 20 anos. Pelé morreu, na quinta-feira.

Meu pai gostava do Pelé, o negão e vibrava com seus dribles, em campo.

Essa ativista, também gostava do jogador, até assumir a causa da militância negra, e ficar, socialmente, inquieta, com os não-posicionamentos políticos, e , com a  cruel história de rejeição de Sandra, a filha. Passei a rejeitar o Edson, que se misturou com o Rei do futebol.

Pelé morreu e observo, em silêncio, a repercussão do fato ,e, é impressionante a grandiosidade do cabra que faz  o planeta  todinho se curvar a seus pés, numa imortalização da obra incomensurável e história do homem preto.

O mundo se curva aos pés de um homem preto. De artistas ao redor do mundo a elite das elites

 ( quase toda ela branca) .

Uma unanimidade que se conta nos dedos.

E isso faz, essa ativista, percorrer caminhos reflexivos e buscar, por entre leituras de gente preta, com propriedade de desvestir o racismo estrutural, que robustece conceitos, preceitos, preconceitos.

Ainda somos reféns do auto ódio.

Emicida, o filosofo preto, que compõe e canta fez análises, magistralmente, certeiras, em um podcast, sobre a perversa desumanização social, perpetuada e naturalizada, com as gente pele preta.

Ponta de flecha.  

Pelé é uma figura que tem uma história controversa, mas é um rei. Se fez um rei preto no país mais racista do mundo, onde o sucesso de gente preta é um crime hediondo.

A figura do homem preto vencedor é extremamente ofensiva para o brasileiro médio- disse Emicida.

 “Nunca tirei minha pele para jogar” - afirmava o jogador.

É importante a indignação social, quando homens se negam a reconhecer a paternidade de filh@s  e. o que aconteceu com Edson  e a Sandra é uma tragédia, mas, temos milhões de homens, ( alguns famosos) no Brasil que agem igual e  a cobrança-cancelamento não tem a mesma proporcionalidade- reinterpretando Emicida.

Que o Edson, faça sua mea culpa, com o divino.

Pelé é grande. É Rei!  Dono de um capítulo próprio na história, do planeta

Obrigada, Emicida!

Valeu, Pelé!