Caso Rhaniel: mãe e padrasto de criança assassinada vão a júri popular

Alícia Flores*|
Rhaniel Pedro
Rhaniel Pedro / Foto: Divulgação

Os réus Ana Patrícia Da Silva Laurentino Lourenço, Vítor De Oliveira Serafim e Wagner De Oliveira Serafim, acusados de participar do crime que vitimou o menino Rhaniel Pedro Laurentino da Silva, de 10 anos, em maio de 2021, irão a júri popular.

De acordo com a publicação do Tribunal de Justiça, o assassinato da criança tem os qualificadores de motivo torpe, crueldade (o método usado foi asfixia), meio que impossibilitou a defesa da vítima e para assegurar a ocultação do crime de estupro de vulnerável.

O juiz Ygor Vieira de Figueirêdo, da 14ª Vara Criminal da Capital, manteve a prisão preventiva dos réus para garantia da ordem pública, “tendo em vista o indicativo de que os delitos foram praticados com crueldade e mediante diversas ações agressivas distintas”.

O magistrado destacou, ainda, que eles agiram em “articulação prévia e em comunhão de desígnios para combinar versões e mudar o foco da investigação policial, no ímpeto único de não atrair a atenção para os delitos por eles desenvolvidos”, atrapalhando a investigação da Polícia Civil.

 

O caso

O menino Rhaniel Pedro Laurentino da Silva, de 10 anos, desapareceu no dia 12 de maio e foi encontrado morto na madrugada do dia seguinte, no bairro Clima Bom, em Maceió. 

O corpo da criança, encontrado por um morador que passava na região, estava próximo a entulhos, no mesmo bairro onde o garoto havia sumido. 

De acordo com o Instituto de Medicina Legal Estácio de Lima (IML de Maceió)  Rhaniel Pedro Laurentino da Silva, de 10 anos, foi vítima de asfixia por aspiração de sangue, em decorrência de ferimentos provocados por instrumento contundente.

Durante o exame de necropsia, a equipe de medicina legal, constatou lesões na região craniana e na face da vítima. A análise cadavérica encontrou ainda hematomas na região do tórax e no interior da boca, a qual teria provocado a asfixia que gerou a morte da criança.

Segundo o delegado Bruno Emílio, a mãe procurava se vitimizar o tempo todo, mas que ela não tinha afeto pelo Rhaniel. “Várias vezes a mãe foi à imprensa defender o padrasto”, disse. Ainda conforme o delegado, a mãe chegou a simular um suicídio, mas nos exames nenhuma substância que ela diz que ingeriu foi encontrada no organismo dela. 

Os delegados mostraram, durante a coletiva, que a mãe da criança pesquisou - um dia antes do homicídio - 78 pesquisas de cunho pornográfico envolvendo adolescentes e idosos, e 46 pesquisas sobre estupro e homicídio. Após o crime, a mãe chegou a pesquisar “como entrar em reality show”.

Ainda conforme o delegado Bruno Emílio, não há ainda informações sobre a motivação do crime. “Existem relatos que a mãe já espancou a criança antes, na casa, o padrasto usava drogas com o irmão e Rhaniel sempre reclamava para familiares”.

Já o delegado Ronilson Medeiros disse que o Rhaniel tinha histórico de não gostar e não aprovar o relacionamento da mãe com o padrasto. 

Sobre o abuso sexual, o delegado Ronilson disse que ao que tudo indica, os três simularam um estupro. “Tinha camisinha no local, mas não tinha material genético nela”.

*Estagiária sob supervisão da editoria

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