Blog do Celio Gomes
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O delírio golpista do PSB alagoano

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Plenário da ALE
Plenário da ALE / Foto: Carlos Villa Verde

Quem diria! O Partido Socialista Brasileiro na defesa da violência policial contra o Poder Legislativo. Tudo bem que partido nenhum no Brasil tem lá aquela identidade toda – quase todos, aliás, não têm identidade nenhuma. Mas a iniciativa do PSB alagoano carimba uma mudança mais profunda na sigla historicamente associada à esquerda e, mais que isso, aos princípios democráticos. Ao menos por aqui, isso é coisa do passado. Uma inflexão. Nos últimos anos, o PSB de Alagoas caiu de amores pelo Jurassic Park do bolsonarismo.

O diagnóstico acima explica uma bizarrice autoritária do partido, formalmente solicitada à Justiça nesta quinta-feira, 28. A sigla pede que a Polícia Militar ocupe o plenário da Assembleia Legislativa e impeça a sessão marcada para segunda-feira, dia 2 de maio. Por coincidência, quem manda no PSB-AL é o prefeito de Maceió, João Henrique Caldas.

Toda essa presepada tem como objeto a eleição indireta para governador. A turma do prefeito joga na confusão para adiar a escolha do governador-tampão do estado. E faz isso porque já existe um virtual eleito na disputa – que vem a ser o deputado Paulo Dantas, apoiado pelos Calheiros. Briga eleitoral, no fim das contas. Ou eleitoreira.

Candidato da “oposição”, Davi Maia, deputado bolsonarista do União Brasil, passou pano para a intenção do PSB. Sempre em tom beirando o melodrama, diz esse exemplar da nova política que há até o risco de intervenção federal em nosso território. Sim, pode. Na verdade, tudo pode acontecer, até mesmo coisa nenhuma.

Maia está preocupado com a obediência a uma decisão de primeira instância que suspende a sessão marcada para segunda-feira na ALE. A Casa já recorreu. Sobre o parlamento ser ocupado pela PM para barrar a sessão na marra, Davi Maia nada falou ao blog do grande Lula Vilar. Trágico. Previsivelmente trágico.

Vamos escrever claramente: a iniciativa do PSB é uma vergonha para os signatários e apoiadores. Defender que a força policial seja usada para impedir o funcionamento do Poder Legislativo é típico dos saudosistas da ditadura. São golpistas em potencial. Delirantes. Por aí a gente constata que maquiagem e falas ensaiadas não garantem renovação e, menos ainda, “modernidade”.

Podemos detonar a Assembleia com as críticas mais arrasadoras da paróquia. Fechá-la, nunca e jamais. Acho que não preciso explicar ao deputado, ao prefeito e ao PSB por quê. Fechar o parlamento é uma das ideias fixas da turma que prega “intervenção militar com Bolsonaro presidente”. Nesse mundo, tudo está conectado.

* * *

NOTA – No fim da tarde desta sexta, o desembargador José Malta Marques, vice-presidente do TJ, derrubou a liminar que parava a eleição indireta na ALE. Sessão mantida. A conferir como os guerrilheiros do PSB e aliados alagoanos, como o UB, vão contra-atacar.

SOBRE O AUTOR

Sou formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Tenho quase trinta anos de jornalismo. Comecei, com estágios e trabalhos temporários, a partir de 1990. Em 1991 entrei na TV Gazeta de Alagoas. Na empresa exerci os postos de editor, produtor, chefe de redação e diretor de jornalismo. Depois fui editor de política em O Jornal. Adiante, trabalhei como editor de política e editor-chefe no jornal Gazeta de Alagoas. Tive também uma passagem pela TV Pajuçara como editor de telejornais. Exerci ainda o cargo de coordenador editorial na Imprensa Oficial Graciliano Ramos. Durante essa trajetória, nos diferentes veículos, escrevi reportagens e tive um blog com textos diários

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