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A mão assassina do Exército Brasileiro

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Leonardo Dias (de colete) bajulando fardados na Câmara
Leonardo Dias (de colete) bajulando fardados na Câmara / Foto: Assessoria

Domingo, 17 de abril. A jornalista Mirian Leitão informa, no jornal O Globo, com exclusividade: Áudios do Superior Tribunal Militar provam a tortura na ditadura. Ela teve acesso aos áudios obtidos pelo historiador Carlos Fico, professor de História da UFRJ. O conteúdo do material é uma prova definitiva de que o Exército Brasileiro cometeu o crime de tortura durante o regime instalado com o golpe de 1964. Crime hediondo. Crime contra a humanidade. 

Segunda-feira, 18 de abril. Informa o site da Câmara Municipal de Maceió: Câmara realiza sessão solene em homenagem ao Dia do Exército. Para surpresa de ninguém, a sessão lambe-botas de milicos foi iniciativa do vereador bolsonarista Leonardo Dias, filiado ao insuspeito PL, o partido de seu ídolo, Jair Messias.

Segundo o texto divulgado pelo parlamento da capital, o vereador justifica a homenagem alegando que todos nós podemos contar com a “mão amiga” dessa força armada que tanto fez e faz pelo país. Ainda segundo essa tresloucada versão dos fatos, o Exército também é sinônimo de “coragem” na defesa dos interesses do povo.

Em sua fala asquerosa, o vereador exaltou os golpistas de 64, aqueles patriotas que prenderam arbitrariamente, torturaram e mataram tantos brasileiros. Isso sem falar no fechamento do Congresso, nos mandatos cassados e na expulsão de professores universitários. Por decisão de trogloditas e reacionários, uma multidão de exilados correu pelo estrangeiro, fugindo de país em país, para escapar do governo criminoso que tomou conta do Brasil por 21 anos.

Nem coragem nem mão amiga. O que define a atuação do Exército Brasileiro na ditadura são outras palavras: assassinato e covardia. Protegidos pela farda da indignidade, porcarias de alta patente ficavam “valentões” diante de presos dominados, sem condições de se defender. Se os alvos da vez eram mulheres, então, aí a “valentia” dos degenerados não tinha limites.

Defender ou praticar tortura é o nível mais baixo, mais podre que um sujeito pode chegar. Os militares golpistas e assassinos levaram essa aberração a requintes inéditos por aqui. Não é por acaso que esse “método de investigação” seja uma tradição nas polícias estaduais. Agora mesmo, em alguma delegacia perto de você, um brasileiro está sendo torturado.

Recado final para refrescar a cabecinha oca de certos vereadores e outras trepeças de mesma índole: “Temos ódio à ditadura. Ódio e nojo”. Palavras de Ulysses Guimarães no discurso de promulgação da Constituição de 1988. É isso aí! Figuras desprezíveis, covardões que torturam e covardões que bajulam torturadores devem ser denunciados e expostos. Homenageados, jamais.

SOBRE O AUTOR

Sou formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Tenho quase trinta anos de jornalismo. Comecei, com estágios e trabalhos temporários, a partir de 1990. Em 1991 entrei na TV Gazeta de Alagoas. Na empresa exerci os postos de editor, produtor, chefe de redação e diretor de jornalismo. Depois fui editor de política em O Jornal. Adiante, trabalhei como editor de política e editor-chefe no jornal Gazeta de Alagoas. Tive também uma passagem pela TV Pajuçara como editor de telejornais. Exerci ainda o cargo de coordenador editorial na Imprensa Oficial Graciliano Ramos. Durante essa trajetória, nos diferentes veículos, escrevi reportagens e tive um blog com textos diários

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