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Fiz o autoteste – que no Brasil ainda não tem – e descobri que estava com Covid

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Eu e meus autotestes: com dois traços, positivo; e com um, negativo
Eu e meus autotestes: com dois traços, positivo; e com um, negativo / Foto: Paula Góes

Com dois anos de pandemia, a Anvisa autorizou a venda e o uso de autotestes para detectar Covid no país. Especialistas não têm dúvida quanto à relevância da testagem em massa no enfrentamento da doença. Mesmo para quem não está com sintoma de coisa nenhuma, testar elimina a dúvida sobre o contaminado assintomático. Se der positivo, recomenda-se o isolamento, para não contaminar mais gente por aí afora, e o tratamento imediato da doença. Deve-se também avisar as pessoas com quem o infectado se encontrou nos últimos dias.

Para manter o padrão do governo Bolsonaro, o Ministério da Saúde foi, também nesse caso da testagem, de uma negligência criminosa. Nada fez para aumentar ao máximo esse procedimento, dado como ação estratégica por autoridades médicas. Após a aprovação, a Anvisa recebeu 30 pedidos de registros de empresas interessadas em fornecer o produto. A papelada está sob análise da burocracia. 

Nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Reino Unido e outros países da Europa, o autoteste é usado como forma de reforçar a prevenção. O governo da Inglaterra talvez seja o que mais investe nessa medida. Todo mundo recebe o autoteste de graça do sistema público de saúde. A população britânica pode pegar caixas, com sete testes cada, em farmácias, bibliotecas, centros comunitários e escolas. Para quem tem sintomas, é possível também fazer o pedido pela internet e receber em casa, no dia seguinte, igualmente sem custos.

Há umas duas semanas, tive sintomas leves, parecidos com o de uma gripe. Já tomei as três doses da vacina. Decidi tirar a prova aplicando o exame em mim mesmo. No fim do ano passado, sem sair de Maceió, o destino me trouxe caixas de autotestes de Covid-19 diretamente de Londres. Cientificamente reconhecido com mais de 85% de acerto no resultado, o produto confirmou o diagnóstico: eu estava contaminado.

A coleta de material para o exame é feita no nariz, girando uma haste, no mínimo cinco vezes, em dois sentidos, em cada narina. Depois deposita o coletado numa solução líquida. O resultado completo sai em até 30 minutos. Ao testar positivo, cumpri rigidamente os procedimentos recomendados pelas autoridades de saúde. Um novo teste já revelou que, após a quarentena, estou sem o vírus.

Não sei se meu procedimento fere alguma regra do ordenamento jurídico brasileiro, uma vez que recorri a um autoteste de outro país, cuja fabricação ainda não tem autorização no Brasil. Provavelmente sim, afinal somente agora, reitero, a Agência Nacional analisa os pedidos de fabricantes. Com minha iniciativa, espero não ser indiciado por algum eventual delito, tipo contrabando de autoteste contra a Covid-19. Pelo menos, suponho não ter contaminado ninguém.

SOBRE O AUTOR

Sou formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Tenho quase trinta anos de jornalismo. Comecei, com estágios e trabalhos temporários, a partir de 1990. Em 1991 entrei na TV Gazeta de Alagoas. Na empresa exerci os postos de editor, produtor, chefe de redação e diretor de jornalismo. Depois fui editor de política em O Jornal. Adiante, trabalhei como editor de política e editor-chefe no jornal Gazeta de Alagoas. Tive também uma passagem pela TV Pajuçara como editor de telejornais. Exerci ainda o cargo de coordenador editorial na Imprensa Oficial Graciliano Ramos. Durante essa trajetória, nos diferentes veículos, escrevi reportagens e tive um blog com textos diários

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