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O editorial da Globo no Jornal Nacional sobre o criminoso governo Bolsonaro

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Na bancada do JN, Bonner e Renata Vasconcelos
Na bancada do JN, Bonner e Renata Vasconcelos / Foto: reprodução TV

A cobertura da TV Globo sobre o criminoso governo Bolsonaro é crítica desde a largada. Rapidamente a relação entre a emissora e o presidente virou uma guerra sem trégua. Nem preciso dizer que o errado na história é o miliciano do Planalto. O editorial do Jornal Nacional divulgado na quinta-feira 06 reafirma a postura do maior grupo de comunicação do país. É por essas e outras que Bolsonaro já era.

Não é a Globo isoladamente que “ataca” o presidente. Quem de fato tem peso na chamada grande imprensa não engole esse desqualificado. Quem diabos vai se associar à tamanha catástrofe fermentada dia e noite, noite e dia, por aquele que deveria zelar pela nação? Apenas o interesse financeiro de empresas como SBT, Record e Jovem Pan “explica” a cumplicidade com o bandidão da rachadinha.

Parece que muita gente se mostrou surpresa com o editorial do JN. Essa sensação decorre da raridade do fato. Historicamente, jornais publicam editoriais todos os dias. Na TV a coisa é diferente. O último na Globo foi em junho do ano passado quando o país bateu em 500 mil mortes por Covid-19. A cobrança de responsabilidade é a essência daquele texto.

Desta vez, o texto lido por Willian Bonner e Renata Vasconcelos vai direto no alvo. Bolsonaro é solenemente desmoralizado – mais uma vez – ao vomitar sua boçalidade sobre o que é prioridade na vida dos brasileiros, como a saúde pública. O ponto mais baixo das últimas indecências do sujeito é o ataque à vacinação de crianças.

Ele é responsável pelo que diz e pelo que faz. Espera-se que o presidente que desonra o cargo desde a posse responda também por sua pregação mentirosa e por suas atitudes de marginal. É assim que leio a parte final do editorial do JN. Como já escrevi aqui tantas vezes, ninguém aguenta mais uma porcaria como Bolsonaro atazanando a vida de todos nós. Até das criancinhas!

Confira na íntegra o texto do editorial do Jornal Nacional:

As declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre as mortes de crianças por Covid afrontam a verdade e desrespeitam o luto de milhares de brasileiros, parentes e amigos das mais de 300 vítimas de 5 a 11 anos. O presidente também desrespeita todos os técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária ao questionar qual seria o interesse da Anvisa com a autorização da vacinação de crianças. 

O interesse da Anvisa está expresso na lei que a criou: coordenar o sistema nacional de vigilância sanitária em defesa da saúde da população. O 4º artigo da lei determina que a Agência atue como uma entidade administrativa independente, e que as prerrogativas necessárias ao exercício adequado de suas atribuições sejam asseguradas. Não é isso que o presidente tem feito ao ameaçar divulgar nomes de integrantes da Anvisa que aprovaram a vacinação infantil, e agora, ao questionar a lisura do órgão. 

Por fim, as declarações do presidente Jair Bolsonaro contrastam com aquilo que prevê o artigo 196 da Constituição que ele jurou respeitar: a saúde é direito de todos os cidadãos e dever do Estado. O governo Bolsonaro retardou a decisão sobre as vacinas para crianças desde o dia 16 de dezembro até ontem, data limite imposta pelo Supremo Tribunal Federal. Convocou uma consulta pública estapafúrdia porque remédios não podem ser aprovados pelo público leigo, e sim por cientistas. 

Em razão dessa demora, as famílias brasileiras têm que aguardar ao menos mais sete dias para a chegada das primeiras doses pediátricas. E como se não bastasse, hoje ele insistiu em atacar as vacinas. 

O presidente Jair Bolsonaro é responsável por aquilo que diz, pelo que faz, espera-se que venha também a ser responsável por todas as consequências daquilo que faz e daquilo que diz.

SOBRE O AUTOR

Sou formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Tenho quase trinta anos de jornalismo. Comecei, com estágios e trabalhos temporários, a partir de 1990. Em 1991 entrei na TV Gazeta de Alagoas. Na empresa exerci os postos de editor, produtor, chefe de redação e diretor de jornalismo. Depois fui editor de política em O Jornal. Adiante, trabalhei como editor de política e editor-chefe no jornal Gazeta de Alagoas. Tive também uma passagem pela TV Pajuçara como editor de telejornais. Exerci ainda o cargo de coordenador editorial na Imprensa Oficial Graciliano Ramos. Durante essa trajetória, nos diferentes veículos, escrevi reportagens e tive um blog com textos diários

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