Manhã do primeiro dia de 2022.
Durante a caminhada matinal, no Corredor Vera Arruda, espaço bucólico do bairro da área nobre, em Maceió,AL, essa ativista encontrou gente amanhecida do ano passado, como o grupo de homens, alimentados pelas conversas abundante ,cujo tema era mulheres. Essa ativista, ouvinte do cotidiano, desacelera o passo para ouvir os comentários.
Um dos cabras, com idade aproximada de 30 e vão alguns anos opina:
- Mulher tem um poder da p*orra!
O grupo todo assente com a cabeça, o peso da noite insone já fazendo efeito.
Um outro homem, analítico retruca , como desabafo fosse :- E quando se junta duas mulheres contra um homem, se ele não for desenrolado vai ser comido vivo.
O terceiro, sintetizou:- Não quero guerra com mulher. Quero nada!
Essa ativista retoma o passo refletindo sobre a conversa, cheias das verdades, dos homens sobre o poder feminino.
Por que em Alagoas, cujo maior parte do eleitorado é feminino, (51,55%), a perpetuação da exclusão das mulheres das esferas de poder e tomada de decisão é reafirmada, em todas as eleições?
Por que o poder androcêntrico, conservador (homens sempre homens) consegue embaralhar nossa noção de igualdade , diante do ringue eleitoral?
Por que as mulheres alagoanas , como uma multidão hiperbólica, não começam a pensar Alagoas sob outras perspectivas, ângulos diferenciados?
Um estado governado por uma de nós?
Essa é uma plataforma de debate urgente,para a população que representa 50% mais 1 do eleitorado, que por sua história de luta, quebra paradigmas.
Nos 205 de anos, Alagoas terá sua primeira mulher governadora,eleita.
Por que, não?
E que venha 2022!
