Blog do Celio Gomes
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O motorista que ouve a Jovem Pan! E Bolsonaro ameaça acabar com a TV Globo

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Foto: Agência Brasil

Entro no carro e, antes de ouvir a voz do motorista, quem fala primeiro ao desavisado passageiro são os comentaristas do Morning Show. Para quem não sabe, Morning Show é um programa da Rádio Jovem Pan que debate os assuntos da hora. Dito assim, até parece algo inofensivo. Sediada em São Paulo, a emissora é mais bolsonarista que o próprio Bolsonaro. O governismo, a adesão incondicional e o servilismo fabricam uma realidade paralela. 

O velho rádio, quem diria, voltou com tudo nos últimos anos (mas não vou esticar esse ponto, é outro assunto). Quero ressaltar o seguinte: se você entra num táxi, ou num carro de aplicativo, ou em qualquer meio de transporte, e o motorista está sintonizado na Jovem Pan-SP, pode cravar: é bolsonarista. As ondas sonoras da radio embalam as esquinas e a fina flor da “nova direita”. 

Essa audiência, que por acaso atesto diretamente nas ruas de Maceió, ostenta uma convicção de princípios. Um motorista diz que “acompanha” a política com atenção, mas “a confiança é zero” nas promessas. Outro vai logo reproduzindo a lenda sobre o maldito “financiamento petista a ditaduras comunistas...”. Jesus de Belém! Olho no trânsito, pensando no compromisso de trabalho a seguir, arredio a confusões, prefiro adiar o debate.

O governo e os meios de comunicação. O poder e a imprensa. É uma relação historicamente turbulenta. O golpe de 1964 mostrou que não existe chance de acordo entre uso da força e democracia. Os donos da imprensa acreditaram nessa falácia e entraram com tudo no apoio aos militares. Não demorou para que os empresários amigos dos generais vissem suas redações amordaçadas.

Nesse campo minado, Bolsonaro voltou a insinuar que pode vetar a renovação da concessão da Globo em 2022. Tirar o sinal do ar. Acabar com a emissora. É uma loucura. Ele sabe que não tem esse poder – algo assim teria de ser aprovado pelo Congresso. É uma decisão técnica, mas o sujeito avisou: “A Globo tem um encontro comigo no ano que vem. Encontro com a verdade...”. 

O atual inquilino do Planalto mantém relações obscuras com a Record (de Edir Macedo) e com o SBT (de Silvio Santos). As duas redes bajulam o mandatário de acordo os repasses milionários em campanhas publicitárias. O ministro das Comunicações, Fabio Faria, é genro do apresentador, o homem do baú. Tudo em casa, entre amigos. Um clássico. Ou, em outras palavras, a “nova política”.

Para o presidente, modelo de jornalismo é a Jovem Pan. Exatamente por isso lá estão Augusto Nunes e Alexandre Garcia, os dois medalhões mais alucinados da paróquia. Há outros, em diferentes veículos, cada qual com algum estilo, mas iguais num ponto: a expressão de um fanatismo em duas vias, a do ódio a Lula e a do amor desmedido a Bolsonaro. 

SOBRE O AUTOR

Sou formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Tenho quase trinta anos de jornalismo. Comecei, com estágios e trabalhos temporários, a partir de 1990. Em 1991 entrei na TV Gazeta de Alagoas. Na empresa exerci os postos de editor, produtor, chefe de redação e diretor de jornalismo. Depois fui editor de política em O Jornal. Adiante, trabalhei como editor de política e editor-chefe no jornal Gazeta de Alagoas. Tive também uma passagem pela TV Pajuçara como editor de telejornais. Exerci ainda o cargo de coordenador editorial na Imprensa Oficial Graciliano Ramos. Durante essa trajetória, nos diferentes veículos, escrevi reportagens e tive um blog com textos diários

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