Blog do Celio Gomes
Blog do Celio Gomes

A quadrilha

Blog do Celio Gomes|
Foto: reprodução

O convívio permanente com o escândalo tende a normalizar o escandaloso. É o que ocorre com a família de milicianos que assalta e vandaliza o país desde janeiro de 2019. Esses quatro elementos da foto não podem ser vistos como algo natural, próprio da vida pública, como se isso fosse a coisa mais banal do mundo. Por isso, vamos reafirmar o que não se pode esquecer: há quase três anos, o Brasil é governado por uma gang cujo único objetivo é ganhar dinheiro e se perpetuar no poder.

Além da indignação diante dos crimes em série praticados pela quadrilha do Planalto, há também um esgotamento mental, por assim dizer. Ninguém suporta mais. Somente os que fazem parte da seita aguentam ouvir falar em Bolsonaro e seus filhos maloqueiros. É tudo muito degradante; dá uma sensação de asco instantâneo olhar pra esses malandros que enriqueceram na política.

De pai para filho, todos progrediram à base de “rachadinhas” com o salário de servidores fantasmas – no crime mais leve que a turma já experimentou. Passaram décadas sem trabalhar, fazendo da política o meio de vida ideal. Bolsonaro usou parentes e amigos nesse esquema ininterrupto de roubalheira do patrimônio público. De ex-mulheres a assessores, tudo sempre girou na lógica da mamata.

No futuro, historiadores gastarão páginas e páginas para decifrar o que deu na cabeça dos brasileiros para eleger presidente da República um delinquente desse calibre. Além de bandido, o sujeito não tem a mínima noção do posto que ocupa. Prova disso é o desprezo com que ele trata as funções que exerce. Bolsonaro diz que governar “é um inferno”, que não tem nada que o satisfaça no dia a dia da Presidência. Dizer o quê frente a uma afirmação como essa?

Muito já se especulou sobre o fenômeno. Como chegamos a isso? É o que perguntam nove entre dez analistas com alguma seriedade hoje em dia. Difícil responder. Na verdade, não há uma causa única. Bolsonaro é parte de uma degradação que atravessa continentes, países e cenários. Já é praticamente um consenso que o capitão da tortura vai passar, sim, mas as mazelas que ele representa terão vida longa. 

O que acho quase inacreditável é ver a turma dos que votaram nesse marginal e hoje se dizem “arrependidos”. Por que deram um voto ao miliciano em 2018? A resposta é uma brincadeira: foram “enganados” em sua boa-fé, acreditaram que Bolsonaro tinha ótimas intenções com o Brasil, era o nome certo para o país deslanchar. Que coisa!

Daqui a um ano temos um encontro marcado com a História. Bolsonaro já era. A derrota nas urnas será o primeiro passo para alguma regeneração da alma de um país. Os passos seguintes terão de contemplar a punição à quadrilha pelos incontáveis crimes perpetrados ao longo de um mandato – um mandato sujo e desordeiro como nunca se viu.

SOBRE O AUTOR

Sou formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Tenho quase trinta anos de jornalismo. Comecei, com estágios e trabalhos temporários, a partir de 1990. Em 1991 entrei na TV Gazeta de Alagoas. Na empresa exerci os postos de editor, produtor, chefe de redação e diretor de jornalismo. Depois fui editor de política em O Jornal. Adiante, trabalhei como editor de política e editor-chefe no jornal Gazeta de Alagoas. Tive também uma passagem pela TV Pajuçara como editor de telejornais. Exerci ainda o cargo de coordenador editorial na Imprensa Oficial Graciliano Ramos. Durante essa trajetória, nos diferentes veículos, escrevi reportagens e tive um blog com textos diários

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Todos os direitos reservados