Blog do Celio Gomes
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Bolsonaro, a elite vulgar alagoana e o sequestro da bandeira do Brasil

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Prédios na Ponta Verde com a bandeira do Brasil em apoio a Bolsonaro
Prédios na Ponta Verde com a bandeira do Brasil em apoio a Bolsonaro / Foto: Paula Góes

A um ano da eleição, Bolsonaro tem a maior rejeição da história desde a redemocratização, quando houve a escolha direta do presidente em 1989, após mais de duas décadas de ditadura militar. É o que informa a Folha de S. Paulo nesta segunda-feira. Segundo levantamento do Datafolha, 59% do eleitorado afirmam não votar no miliciano do Planalto de jeito nenhum. É virtualmente impossível um candidato vencer uma disputa eleitoral sendo rejeitado por tamanha multidão de eleitores.

Esse é apenas um dado entre muitos que atestam o derretimento do “mito”. Todas as pesquisas publicadas ao longo deste ano indicam a tendência quase irreversível de derrota. Bolsonaro garante o barulho que ainda faz porque mantém aquela base fiel de sua seita. Há os debiloides do combate ao globalismo, a politicalha das lideranças que agem pelo faro do oportunismo e finalmente o apoio dos ricaços. O topo da pirâmide, onde vivem os potentados da elite, segue firme alinhado ao presidente que vai destruindo o país desde janeiro de 2019, quando assumiu o mandato.

Que “elite” é essa que nem diante do evidente descalabro pelo qual passa o país larga as botinas do capitão da tortura? Parece absurdo, mas é fácil de explicar. A gentalha nababesca vota em qualquer porcaria, desde que sua grana corrupta esteja garantida. Se o governo tem um Paulo Guedes – o homem do mercado – que odeia as empregadas domésticas, então, está tudo nos conformes para essa turma.

Distribuição de renda, políticas sociais e a defesa dos direitos dos mais pobres são temas que causam repulsa nos donos do dinheiro. Como diria o deputado Justo Veríssimo, o imortal personagem de Chico Anysio, nossa elite indecente quer mesmo que “o pobre se exploda”. É esse eleitor que dá ao delinquente da rachadinha o percentual de vinte e poucos por cento nas pesquisas.

A beira da praia de Maceió, na chamada área nobre, entre Pajuçara e Jatiúca, é a representação alagoana da tragédia bolsonarista. Nos prédios mais luxuosos, onde se escondem bandidos da política e do mundo empresarial, a bandeira do Brasil nas janelas confirma a identidade dos apoiadores do atual desgoverno. Quanto mais ostentação nas fachadas e vidraças, mais verde e amarelo para expressar a bajulação ao mito de araque.

É claro que a bandeira nacional nada tem a ver com os marginais que espoliam o país desde os tempos dos engenhos. O símbolo da nação não é propriedade privada de ninguém – foi sequestrado pela escória que finge um “patriotismo” de provocar nojo. São patriotas do próprio bolso, na defesa de interesses particulares, com odioso desprezo pela maioria do povo brasileiro. 

As fachadas na orla da capital alagoana, com grandes bandeiras a balançar ao vento, sintetizam um Brasil aviltado pela canalha. Um Brasil no fundo do poço, moralmente destruído pelos ladrões do poder. É, acrescento para encerrar, um combinado de corrupção, ignorância, violência e vulgaridade. Em outras palavras, a “nobreza” – alagoana e brasileira. 

SOBRE O AUTOR

Sou formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Tenho quase trinta anos de jornalismo. Comecei, com estágios e trabalhos temporários, a partir de 1990. Em 1991 entrei na TV Gazeta de Alagoas. Na empresa exerci os postos de editor, produtor, chefe de redação e diretor de jornalismo. Depois fui editor de política em O Jornal. Adiante, trabalhei como editor de política e editor-chefe no jornal Gazeta de Alagoas. Tive também uma passagem pela TV Pajuçara como editor de telejornais. Exerci ainda o cargo de coordenador editorial na Imprensa Oficial Graciliano Ramos. Durante essa trajetória, nos diferentes veículos, escrevi reportagens e tive um blog com textos diários

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