Blog do Celio Gomes
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Os indiciados no relatório de Renan Calheiros na CPI da Pandemia

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No posto de relator da CPI da Pandemia de Covid-19, o senador Renan Calheiros se mostrou implacável diante das atrocidades do governo Bolsonaro. Não por acaso, os governistas tentaram de tudo para evitar que o alagoano assumisse o cargo, sem dúvida o mais importante numa Comissão Parlamentar de Inquérito. Desde o começo dos trabalhos, em abril, Renan agiu na contramão de todas as delinquências perpetradas por Bolsonaro e sua gang na gestão da crise. É alvo permanente dos filhotes do presidente miliciano, que tentaram de tudo para sabotar a CPI.

Nenhuma das manobras governistas deu certo. Ao longo desses seis meses, os brasileiros descobriram todo o tipo de falcatrua no Ministério da Saúde, transformado num centro de roubalheira e feitiçaria com medicamentos sem eficácia. O tal do Kit Covid é uma das maiores barbaridades nesse caso. Corrupção e negacionismo estão no centro das denúncias mais graves contra o desgoverno cujo projeto único é o poder a qualquer custo – inclusive ao custo de milhares de vidas.

O ex-ministro Eduardo Pazuello e o atual, Marcelo Queiroga, deveriam ser presos pelo modo criminoso com que agiram em suas gestões na pasta. Queiroga substituiu o ridículo general com o jaleco de autoridade “técnica”, afinal se trata de um médico, um profissional da ciência e da razão. Nada disso, porém, se viu na postura adotada por ele. O sujeito é tão sabujo quanto o soldadinho daquele “um manda e outro obedece”.

A última ação oficial do ministro Queiroga foi ofender os brasileiros com um gesto obsceno durante visita oficial aos Estados Unidos para a reunião anual da ONU. Nunca se viu tamanha degradação, com direito a vídeos e fotos na imprensa mundial. A seita que reza aos pés de Bolsonaro adorou o ato do doutor que desonra a medicina e envergonha colegas de profissão. Não passa de um puxa-saco mendigando sua cota de mando e moedas no reino da bandidagem.

Os dois ministros serão indiciados pela CPI. O mesmo deve ocorrer com Bolsonaro e seus filhos. É o que se espera no relatório final de Renan Calheiros. “Nós não vamos falar grosso na investigação e miar no relatório”, garantiu o parlamentar ao confirmar o virtual indiciamento do presidente. As razões do indiciamento combinam receita de tratamento precoce sem eficácia, produção de fake news, negacionismo e corrupção nas negociações para compra de vacinas.

No pacote que amarra os criminosos dessa tragédia, cabe lugar de destaque para o Conselho Federal de Medicina e seus representantes estaduais. É um espanto sem precedentes a postura dessa entidade que deveria zelar com rigor pela correta gestão na saúde pública. No entanto, o que se viu durante meses foi uma combinação de omissão, conivência e chancela às mazelas patrocinadas pelo governo.

Por isso, o CFM sai dessa quadra com a mancha de um crime contra os brasileiros. Em nome da bajulação a Bolsonaro, a entidade se tornou cúmplice de um governo de corruptos e charlatões. Para nenhuma surpresa, o Conselho Regional de Alagoas seguiu à risca a mesma linha de comportamento. Não sei nem como classificar esse troço. O nosso CRM é um antro de reacionários cuja única manifestação em Alagoas foi tentar tumultuar o trabalho das autoridades que atuam com seriedade no combate à pandemia.

Após o encerramento da CPI nos próximos dias, a conferir os desdobramentos no Ministério Público e na Procuradoria-Geral da República. Como se sabe, Augusto Aras, o procurador-chefe, está na cadeira unicamente por devoção a Bolsonaro. O que ele fará com as denúncias contra o miliciano do Planalto é um mistério. 

Ainda que com excessos pontuais, nada houve que comprometesse o objetivo central das investigações levadas a cabo pelos senadores da Comissão. O trabalho deve ser reconhecido como fundamental por esclarecer fatos até então ocultos, revelar negociações espúrias à base de milhões e barrar medidas do governo que apenas pioravam o que já era gravíssimo. Espero que pelo menos alguns dos criminosos paguem pelo que aprontaram. 

SOBRE O AUTOR

Sou formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Tenho quase trinta anos de jornalismo. Comecei, com estágios e trabalhos temporários, a partir de 1990. Em 1991 entrei na TV Gazeta de Alagoas. Na empresa exerci os postos de editor, produtor, chefe de redação e diretor de jornalismo. Depois fui editor de política em O Jornal. Adiante, trabalhei como editor de política e editor-chefe no jornal Gazeta de Alagoas. Tive também uma passagem pela TV Pajuçara como editor de telejornais. Exerci ainda o cargo de coordenador editorial na Imprensa Oficial Graciliano Ramos. Durante essa trajetória, nos diferentes veículos, escrevi reportagens e tive um blog com textos diários

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