Após vereadora chamar Bolsonaro de "genocida", parlamentar pede que Câmara "censure" o termo

Alícia Flores*|
Câmara Municipal de Maceió
Câmara Municipal de Maceió / Foto: Dicom / CMM

Durante a votação que concedeu a Jair Bolsonaro o título de Cidadão Honorário de Maceió, os vereadores Delegado Fábio Costa (PSB) e Teca Nelma (PSDB) se alfinetaram em relação ao uso do termo “genocida” para se referir ao presidente.

Durante o voto ao projeto, a tucana falou que “sem dúvidas e sem medo, eu voto ‘não’ contra o genocida”. Em seguida, Fábio Costa disse que o artigo 292 do Código Interno permite que o vereador solicite, ao presidente da Casa, a censura quando um parlamentar pronunciar qualquer palavra de caráter injurioso.

“Ao meu ver, a vereadora Teca Nelma acabou de fazer isso, ao taxar o presidente da República em exercício, eleito democraticamente, como genocida. Talvez ela não saiba qual é o significado da palavra ‘genocídio’, que é tipificado como um crime”, comentou.

O edil leu o conceito e disse que genocídio “é o extermínio deliberado de pessoas, motivado por diferenças étnicas, nacionais, raciais, religiosas e, por vezes, sociopolíticas”, reforçando que “claramente, não é o que tem acontecido”.

“O presidente Bolsonaro não assassinou ninguém, muito pelo contrário”, reiterou.

Fábio Costa, em seguida, solicitou a Galba Netto a censura da expressão, que classificou como injuriosa.

Em resposta, Teca Nelma disse que “mais uma vez, sou atacada dentro dessa Casa pelo meu gênero. Enquanto mulher, sou aqui colocada em xeque sobre o meu conhecimento mais uma vez, que não foi a primeira vez”.

“Sempre que profiro algo que não é aceito pelos homens dessa Casa, a primeira pergunta deles é ‘não sei se a senhora sabe o que está falando’ e, inclusive, fazem questão de ler o conceito aqui”, reclamou.

Ela disse que se formou em uma universidade e teve acesso a educação, e que possui liberdade de expressão para se posicionar na Câmara. “Não vai ser com ameaças de nenhum vereador que vou ser cerceada”.

Teca Nelma finalizou sua fala dizendo que “censura é na época da ditadura militar”.

Em seu Twitter, a vereadora lamentou a aprovação do projeto. “Votei contra esse projeto e volto a afirmar que é inadmissível homenagear um presidente negligente e responsável sim pelas 500 mil mortes neste país”.

“Vou deitar essa noite com a plena convicção de que nós, que denunciamos os absurdos desse governo, estamos do lado certo da história. Não adianta pedir pra me censurar. Não darei nenhum passo atrás”, disse.

 

*Estagiária sob supervisão da editoria

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