Blog do Celio Gomes
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Lula e FHC: retrato de um Brasil mais saudável

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A imagem corre o mundo. A repercussão internacional confirma que estamos diante de um fato da maior relevância. Para um amigo, que me enviou mensagem sobre o retrato, é muito mais: trata-se do acontecimento político mais importante do país nos últimos anos. Lula e FHC se encontraram para uma conversa sobre democracia e rumos do Brasil. Os dois ex-presidentes bateram um papo na casa de Nelson Jobim, ex-ministro da Justiça e ex-ministro do STF. A notícia ocupou o topo de todos os veículos e virou pauta obrigatória em entrevistas, debates, videoconferências, tretas e podcasts. 

E por que a conversa entre o petista e o tucano tem toda essa importância? Parece fácil entender. O Brasil não tem como aguentar mais quatro anos dessa tragédia que está aí. O governo miliciano é aberração incompatível com valores básicos de uma democracia. Apesar de tudo, aos trancos e topadas, a Constituição barrou todas as investidas do delinquente Jair. Ele baba e rosna, afia as patas no meio-fio, mas fica por aí, fraco, desdentado.

A reunião entre Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso deve ser elogiada porque celebra o diálogo. A imagem dos dois, lado a lado, fazendo o cumprimento típico desses tempos, com máscara e tudo, transmite serenidade e respeito – e estamos falando de dois adversários históricos. Para os “conservadores” que caíram no colo de Bolsonaro, respeito é “fuzilar a petralhada”. Foi o “projeto” que o Brasil elegeu em 2018.

Nesta sexta-feira, o pária internacional passou recibo de sua agonia com o encontro entre Lula e FHC. Em seu habitual idioma, cuspiu aqueles impropérios que, ironicamente, cabem perfeitamente para ele próprio. “Canalha”, “vagabundo”, “ladrão” são classificações sob medida para o Jair. Sem ter o que mostrar de realização, a aposta do sujeito será a chamada guerra suja – com o perdão do velho clichê. E o panorama vai se agravar.

Acuado pela CPI e pelas pesquisas eleitorais que mostram Lula isolado na liderança, Bolsonaro apela ao que resta em sua frente de batalha: os insetos do bolsonarismo de raiz, aqueles elementos que vão até o fim com o capitão da tortura. Com a realidade cada vez mais hostil a sua gestão e a seus modos, resta ao pai do Carluxo e do Flávio Rachadinha o reino assombrado das fake news. Orçamento secreto e tratoraço também ajudam muito. 

A semana termina com mais encrenca para o governo na CPI da Pandemia. Os depoimentos até agora atestaram o descaso com que o presidente tratou a crise sanitária. Ao longo de meses, enquanto milhares de brasileiros perdiam a vida, Bolsonaro fazia uma piada atrás da outra: quem não lembra da cloroquina versus tubaína? 

Piada. Foi assim que Bolsonaro tratou a tragédia da Covid-19. Com a sabotagem a propostas de compra de vacina, estamos atrás da maioria dos países que fizeram o que deveriam fazer. Enquanto isso, o miliciano incentiva passeatas em nome da família e do voto impresso. Chocante é ver o gado na rua com tais bandeiras.

Voltando à fotografia de Lula e FHC, o encontro chacoalha todos os campos do espectro político, com especial estrago à turma do centro-tucano, digamos assim. Ciro, Doria e afins não gostaram nada da reaproximação entre os velhos rivais. Os que guerreiam para se viabilizar como a “terceira via” tentam igualar Lula e Bolsonaro.

Falsa polarização, fantasia a serviço de palanque eleitoral. É cedo para previsões sobre 2022. Mas num ponto, a essa altura de 2021, a maioria dos brasileiros parece concordar: temos de nos livrar do miliciano que avacalha o país e celebra a morte. Naquela moldura virtual, Lula e FHC representam um Brasil muito mais saudável. 

SOBRE O AUTOR

Sou formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Tenho quase trinta anos de jornalismo. Comecei, com estágios e trabalhos temporários, a partir de 1990. Em 1991 entrei na TV Gazeta de Alagoas. Na empresa exerci os postos de editor, produtor, chefe de redação e diretor de jornalismo. Depois fui editor de política em O Jornal. Adiante, trabalhei como editor de política e editor-chefe no jornal Gazeta de Alagoas. Tive também uma passagem pela TV Pajuçara como editor de telejornais. Exerci ainda o cargo de coordenador editorial na Imprensa Oficial Graciliano Ramos. Durante essa trajetória, nos diferentes veículos, escrevi reportagens e tive um blog com textos diários

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