Encontre-se por Carol Fontan
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Mães de TDAH

Encontre-se por Carol Fontan|

 

Mal educado, menino danado, ele faz essas coisas por maldade, ele já tem noção do que faz, fez de propósito, se fosse meu filho ele ia ver o que é bom, isso é falta de uma pisa boa, ele tem problemas, precisa de ajuda esse menino, com meu filho ele não brinca, maluco...

Esses são os comentários dos nossos vizinhos e pessoas mais próximas que acompanham nossa rotina, ouvir, perceber, intuir e saber que falam coisas assim de seu filho de apenas 5 anos é como levar uma pedrada em um local que já está ferido.

Preconceito é o julgamento prévio de algo que você não tem conhecimento e por algum motivo se acha apto e superior o bastante para julgar, opinar e até receitar uma solução. Eu chamo de ignorância consciente.

Meu lindo e amado filho, aquele que representa a herança do Senhor na minha vida tem TDAH diagnosticado, e apesar de também ter julgado esse diagnostico no início, percebi que a única maneira de o ajudar seria estudar e aprender sobre o assunto, e para isso eu precisaria primeiro aceitar.

Mas hoje tudo é TDAH, ele é só uma criança ativa...

Eu também já pensei assim. O fato é que é sim mais comum do que imaginamos e em graus diferentes está presente na vida de muitas crianças e de adultos já cansados também.

Sim é claro, a falta de atenção e foco é só um sintoma dos mais simples, a dificuldade de aprendizagem é mais um, ser estabanado e cair com frequência também é só mais uma coisa de criança, assim como brigar com os coleguinhas seria coisa de uma criança geniosa...

Mas existe mais por trás desse comportamento. Quando pensamos em dificuldade de aprender não me refiro só a escola, mas também de aprender valores morais, o que é certo e errado, a capacidade de interpretação dos fatos. Reações exageradas as frustrações, descontrole emocional, acessos de raiva e de euforia, dificuldades de manter relacionamentos sociais “ter amigos”, dificuldades em planejar e em guardar, não enxergar os perigos e ser desmedido sem muita de espaço.

Mas eles também são espontâneos, de opinião forte, bondosos e generosos, alegres e destemidos, muito inteligentes naquilo que lhes despertam o interesse, são presentes, não fingem ou dissimulam. Só querem ser aceitos como são.

Não! Eles não são deficientes ou “malucos”, eles não têm uma doença mental, não são incapazes. Eles são únicos e mal compreendidos. 

Tem muito adulto que vive sem saber que tem o TDAH e sofrem as consequências por tanta ignorância.

 

Não, não é nada fácil lidar com tantas dificuldades em casa e ainda ter que lhe dar com a rejeição que ele sofre pelo amigos e os pais dos amigos, ter que lhe dar com tanta ignorância e preconceito, com os olhares de reprovação, com a segregação, com a falta de paciência e amor até dos mais próximos, ter que lhe dar com a reclamações constantes do que eles julgam ser mal comportamento, ter que lhe dar com adultos se reunindo para criticar uma criança, ter que lhe dar com outras crianças relembrando cada feito de errado que ele fez meses atrás, com o medo dos pais achando que uma criança de 5 anos causaria algum dano a outra criança...

O mais difícil é vê-lo sofrer de angustia, ansiedade e rejeição e se manter forte para elogiar, defender e fazer ele acreditar que ele só precisa se sentir bem em ser ele, fazer com que ele tenha autoconfiança e uma boa autoestima.

E quem disse que precisa ser fácil? Ser mãe não é fácil, mas amar seu filho é a coisa fácil do mundo e é o que faço de melhor nessa vida.

É fácil amar seu filho quando você entende que você não é mais só um, vai além de você. É fácil amar seu filho quando você o ama mais do que querer ser bem visto pelos vizinhos, que o bem-estar dele é muito mais importante do que qualquer preconceito, é fácil amar quando você deixa de olhar para o próprio ego e enxerga o outro.

Se eu puder dizer algo de útil para outras mães que passam por isso, seria: Aceite o seu filho e não tente fazer com que ele seja diferente, ele não é uma extensão sua, mas tem parte de você e essa parte talvez não seja a sua melhor parte, mas é a que ele precisa ter e é aquela parte que você ainda não aceitou ter.

Amor próprio é se amar, se aceitar e se admirar com és.... Esse amor extravasa  a ponto de você distribuir esse amor. Ter um filho é ter que lhe dar com aquilo que ainda lhe fere a alma, é mostrar que está na hora de  superar por amor a outra pessoa.

Aceite-o e ame-o, é tudo o que vai importar quando ele for um homem. Faça a sua parte.

Carol Fontan

@carolfontann 

82.99913-5276

SOBRE O AUTOR

Especialista em ciência do bem estar, análise do comportamento humano, coaching e psicanálise em andamento eu tenho voltado meus textos a reflexões sobre o autoconhecimento provocativo, comparando aos padrões de comportamentos cotidianos, bem como fortalecimento emocional e gestão das emoções. Pode da uma olhada em alguns que tem no meu Instagram, porém não é o lugar ideias para textos, por isso pensei no blog.

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