Blog do Celio Gomes
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Orçamento secreto e Bolsonaro decadente

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A nova pesquisa Datafolha traz um coquetel de péssimas notícias para o delinquente do Planalto (foto). Além de ver Lula flutuando na liderança da corrida para 2022, Bolsonaro amarga o mais baixo índice de aprovação desde o começo de seu governo. A gestão do tresloucado é considerada ótima ou boa por 24% do eleitorado. Em março, o apoio era de 30%. Já o percentual dos que consideram o governo ruim ou péssimo bate nos 45%. Outros 30% dizem que a gestão é regular. Junte-se a isso a rejeição de 54% do eleitorado – mais da metade afirma não votar em Bolsonaro sob nenhuma hipótese.

Mas o sujeito não está acabado, é claro; afinal, como ele mesmo diz, tem a caneta na mão. E a caneta na mão, no caso de Bolsonaro, significa “emendas invisíveis” ao orçamento secreto – o escândalo revelado pelo Estadão. Nesse esquema, o governo escolheu os parlamentares amigos para garantir uma “verba extra”, além das emendas regulares. Cada um tem direito ao mesmo valor de 8 milhões de reais. No paralelo, a coisa inflaciona.

Cito o exemplo do deputado Arthur Lira, o alagoano que preside a Câmara e que assumiu o posto de amigo, cão de guarda e aliado radical de Bolsonaro. Revela o Estadão: “Lira ganhou no ano passado o direito de encaminhar, conforme seus próprios interesses, R$ 114,6 milhões para obras e compras de máquinas pesadas”. Ele “ganhou”, nos termos do jornal, porque determinou ao Ministério do Desenvolvimento o destino de toda a dinheirama.

O problema é que esse presente não foi pra todo mundo. Levou quem está fechado com a blindagem ao presidente negacionista. Colunistas espalhados na imprensa já comparam o caso ao mensalão do PT. O fato é que o desenho lembra bastante uma antiga fórmula de garantir a base no Congresso. Além disso, as eleições para as presidências da Câmara e do Senado têm tudo a ver com esse acordo de cavalheiros. Parece bem previsível. 

Comecei falando do Datafolha que mostra Bolsonaro com forte reprovação a seu governo e bem atrás de Lula na corrida eleitoral. A combinação desses fatores deixa o chefe da seita e seus fiéis à beira da convulsão. A reação será cada vez mais a que se viu nesta quinta em Maceió: chilique, baba espumando, insultos a adversários.

Em visita a Alagoas, o pária aproveitou pra ofender o senador Renan Calheiros e o ex-presidente Lula. A vulgaridade, marca registrada na depravada trajetória de Bolsonaro, expõe a aposta na confusão, na bagunça, na briga de rua. Bolsonaro quer reviver o ódio antipetista e a demonização da esquerda. É guerra ao globalismo!

Sério problema pra essa gang é que o discurso não tem o mesmo poder de 2018. A “nova política” é o que sempre foi, mistura de piada e vigarice retórica. O “combate à corrupção” nunca passou de uma espécie de udenismo – sem o verniz das ideias e com a fedentina do golpismo. Como tudo se encaixa, tinha a Lava Jato no pacote.

Com o cerco se fechando na CPI, é certo que o marginal na Presidência vai aprontar tudo o que puder no jogo rasteiro. A lama é sua zona de conforto. (Antes de fechar, faltou uma informação sobre o orçamento secreto de Bolsonaro e aliados: o valor total para a farra entre amigos é de 3 bilhões de reais. Dá pra fazer um belo estrago).

SOBRE O AUTOR

Sou formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Tenho quase trinta anos de jornalismo. Comecei, com estágios e trabalhos temporários, a partir de 1990. Em 1991 entrei na TV Gazeta de Alagoas. Na empresa exerci os postos de editor, produtor, chefe de redação e diretor de jornalismo. Depois fui editor de política em O Jornal. Adiante, trabalhei como editor de política e editor-chefe no jornal Gazeta de Alagoas. Tive também uma passagem pela TV Pajuçara como editor de telejornais. Exerci ainda o cargo de coordenador editorial na Imprensa Oficial Graciliano Ramos. Durante essa trajetória, nos diferentes veículos, escrevi reportagens e tive um blog com textos diários

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