Blog do Celio Gomes
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Jair Bolsonaro, o presidente que derreteu

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Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro / Foto: Reuters

Jair Bolsonaro tem 62% de rejeição do eleitorado nordestino. No país, o índice é de 54%. Ou seja, em cada 10 eleitores do Nordeste, seis dizem que não votam em Bolsonaro de jeito nenhum no primeiro turno das eleições em 2022. Levando-se em conta o Brasil inteiro, o desqualificado presidente é rejeitado por mais da metade da população que vai às urnas daqui a pouco mais de um ano e meio. Os dados estão na mais recente pesquisa Datafolha. Os números gerais são avassaladores sobre o capitão da tortura e elevam seu desespero. O resultado indica que o projeto de reeleição está a perigo.

Divulgada pela Folha na noite desta quarta-feira, a pesquisa revela a intenção do eleitor para a disputa presidencial. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera a corrida com folga. Tem 41% das preferências contra 23% de Bolsonaro, que aparece num distante segundo lugar. São 18 pontos de dianteira a favor do petista. Bem mais atrás aparece Sergio Moro, aquele juiz parcial especialista em violações ao devido processo legal. Ele fica com 7% das intenções.

Segundo o Datafolha, Ciro Gomes tem 6% das intenções de voto. Luciano Huck (4%), João Doria (3%), Henrique Mandetta (2%) e João Amoêdo (2%) fecham a lista dos pré-candidatos citados no levantamento. Embora difícil, os números assombram Bolsonaro com a possibilidade de Lula ganhar a parada ainda no primeiro turno. Os 41% do petista ficam a apenas seis pontos da soma total de todos os adversários, que é de 47%.

No cenário de segundo turno, Lula também bate o desqualificado presidente com larga vantagem. O petista obtém 55% do eleitorado contra 32% de Bolsonaro, numa diferença de 23 pontos percentuais. O amigo de milicianos também é batido por Ciro Gomes num eventual confronto de segundo turno. Em todos os cenários e projeções, a pesquisa não traz nenhum dado favorável a Bolsonaro. O sujeito derrete em praça pública.  

O levantamento do Datafolha é o primeiro depois da decisão do STF que anulou os processos contra Lula em Curitiba. E também capta a intenção do eleitor após a confirmação de que Sergio Moro foi um juiz parcial, que praticou crimes ao condenar Lula sem apresentar uma prova sequer. O veredito sobre o ex-juiz marginal também veio do STF. Ao que parece, a percepção de boa parte da população mudou em relação ao ex-presidente Lula.

É a tempestade perfeita contra o projeto totalitário da turma que tomou o Planalto de assalto e vandaliza a vida pública: Bolsonaro derrete e Lula avança até sobre redutos tidos como fiéis seguidores do presidente. O Datafolha informa que o atual mandatário tem 34% das intenções entre os evangélicos. Lula aparece com 35%, um ponto à frente, em empate técnico. Aliás, um dado pra lá de relevante é que o petista ganha em todas as regiões.

O presidente desembarca em Alagoas para patrocinar um oba-oba com inaugurações de obras já inauguradas. Deu azar. A visita coincide com o pior momento de sua administração. Nem precisava, mas a CPI da Pandemia vai atestando que Bolsonaro contribuiu fartamente para o número de mortes – mais de 420 mil até esta quinta.

O Datafolha espelha um sentimento cada vez mais amplo. Demorou, mas as bravatas estúpidas do delinquente Bolsonaro são ignoradas por todo mundo; ninguém leva a sério um mentiroso compulsivo, adepto a fake news. As insinuações de que poderia usar o Exército para um autogolpe alegram tão somente aquele velho gado.

Mais fraco do que nunca, tendo que recorrer a expedientes subterrâneos para se manter no poder, este é o presidente que chega por aqui. O decadente inquilino do Planalto será recepcionado por figuras que, pensando bem, estão à altura do visitante. Apesar desse pântano, taí a pesquisa pra mostrar que nem tudo está perdido.

Voltei!

SOBRE O AUTOR

Sou formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Tenho quase trinta anos de jornalismo. Comecei, com estágios e trabalhos temporários, a partir de 1990. Em 1991 entrei na TV Gazeta de Alagoas. Na empresa exerci os postos de editor, produtor, chefe de redação e diretor de jornalismo. Depois fui editor de política em O Jornal. Adiante, trabalhei como editor de política e editor-chefe no jornal Gazeta de Alagoas. Tive também uma passagem pela TV Pajuçara como editor de telejornais. Exerci ainda o cargo de coordenador editorial na Imprensa Oficial Graciliano Ramos. Durante essa trajetória, nos diferentes veículos, escrevi reportagens e tive um blog com textos diários

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