Fábio Guedes
Fábio Guedes

Dicas para uma quarentena

Nesse mês de março assisti cinco excelentes documentários na Netflix sobre a biografia da cena musical brasileira e internacional do século XX.

O primeiro deles, Barão Vermelho: por que a gente é assim?, que conta a história da formação de uma das bandas mais longevas do rock nacional. Muitos aspectos de sua trajetória são revelados nesse documentário, desde os bastidores da composição de vários clássicos, ao ambiente divertido e de liberdade que predominava nos estúdios de produção, com personagens importantes que não participavam com a banda em suas apresentações nos palcos Brasil afora. 

O papel de Cazuza no Barão Vermelho foi inconteste, mas percebe-se como a banda cresceu e evoluiu após sua morte, ganhando novas características, sob a liderança de Frejat.

Depois fui curioso conferir Keith Richards, under the influence. Uma viagem sobre a vida e formação musical do lendário guitarrista da banda Rolling Stones. Nessa película percebe-se a vasta cultura musical de Keith e o domínio sobre vários instrumentos, principalmente o piano. Mas sua preferência sempre foi o baixo, apesar de ser reconhecido como um dos melhores guitarristas do mundo. A paixão pelo blues revela um espetacular cantor em sua trajetória solo. Chama atenção seu permanente bom humor.

O Barato de Iacanga foi um desses achados que lhe prende ao sofá. Em meados da década de 1970, no município de Iacanga, São Paulo, no interior da fazenda Santa Virgínia, um grupo de adolescentes reproduziu uma versão tropical do grande festival de Woodstock. Uma louca aventura que tomou proporções inimagináveis e se transformou em evento de grande porte que navegava contrário a cultura estabelecida à época. Foi um espaço de liberdade e resistência à ditadura, mesmo sob os olhares, vigilância e registros das autoridades policiais. 

Em quatro versões ficou conhecido depois como o festival de Águas Claras e passou pelo seu palco as principais personalidades musicais da época, com destaque para os shows espetaculares de João Gilberto e Gilberto Gil. Vale muito a pena assistir esse documentário e conhecer o movimento contracultura à época e a epopeia de fazer um evento dessa magnitude em plena ditadura militar.

Vinícius de Moraes merece ser assistido acompanhado de uma garrafa de vinho. Espetacular documentário não somente sobre a vida do personagem, mas sobre um capítulo da história brasileira que parecia revelar que a modernização e os anos dourados no Rio de Janeiro nos anos cinquenta do século passado, apontavam um futuro muito promissor para o País. 

O surgimento da bossa nova sob forte influência de Vinícius de Moraes, com sua poesia, sua música e suas composições, ao lado de João Gilberto, Tom Jobim, Edu Lobo, Carlos Lyra, Miúcha, Toquinho etc. simbolizou um estágio civilizatório que tínhamos alcançado, um dos sonhos do movimento acalentado na Semana de Arte Moderna de 1922. Os causos e histórias pitorescas da vida de Vinícius de Moraes, inclusive seus nove casamentos, são capítulos fascinantes desse belo documentário. 

Por fim, vi Com a palavra, Arnaldo Antunes. Sua capacidade criativa que desde a juventude o fazia destacar-se no período colegial, esse Titã magistral foi um dos alicerces da banda que revolucionou o rock nacional nos anos oitenta do século passado. O que impressiona em seu talento é a paixão pelas formas das palavras e seu estilo metafísico. Arnaldo Antunes não perde a linha, continua o mesmo que é apresentado quando jovem. Com os tribalistas, ao lado de Marisa Monte e Carlinhos Brown, alcançou uma maturidade musical que impressiona até hoje. É um artista que sempre trabalhou na fronteira da criatividade, experimentando tendências novas e as incluindo em sua trajetória profissional.  

Vale a pena conferir….fica a dica…

SOBRE O AUTOR

Doutor em Administração com ênfase em Instituições e Políticas Públicas [NPGA/UFBA]. Mestre em Economia Regional e Graduado em Ciências Econômicas [UFPB]. Professor da Graduação em Ciências Econômicas da Universidade Federal de Alagoas [UFAL] e das Pós-graduações em Economia Aplicada [CMEA], em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para Inovação [PROFNIT] e em Administração Pública [PROFIAP]. Membro Associado do Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento [Rio de Janeiro]. Diretor do Periódico Científico Revista Brasileira de Administração Política [Escola de Administração, UFBA/Editora HUCITEC, São Paulo]. Diretor Presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas - FAPEAL, desde janeiro de 2015.

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