Blog do Celio Gomes
Blog do Celio Gomes

Conselhos Regional e Federal de Medicina viram aparelhos do bolsonarismo

Blog do Celio Gomes|

O Conselho Federal de Medicina é um antro de bolsonaristas fanaticamente dedicados à causa. Toda a diretoria da entidade votou em Jair Bolsonaro e atua hoje em dia como se fosse um departamento do Planalto. Com a pandemia de Covid-19, a postura do CFM chamou atenção da imprensa diante das barbaridades cometidas pelo presidente e seu desgoverno. Nenhuma palavra de censura ou repúdio ao delinquente Jair Bolsonaro. Nem poderia. Quem manda no colegiado que deveria, em tese, defender a saúde dos brasileiros atua na contramão da ciência, em defesa do obscurantismo.

E no Conselho Federal de Medicina tem um alagoano muito conhecido por aqui. É o médico Emmanuel Fortes, que foi candidato a vice-prefeito de Maceió em 2020, na chapa com Davi Davino Filho (foto). Dois anos antes, em 2018, ele tentou uma cadeira de deputado federal. Perdeu nas duas ocasiões. Fortes é personagem de uma reportagem no The Intercept Brasil que mostra a militância desses conselheiros. Ele é filiado ao PSL, lixo da extrema-direita “renovada”.

Na reportagem, o site reproduz postagem de Emmanuel Fortes no Facebook. Depois de participar de uma reunião com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, o médico alagoano escreveu: “Presentes a Ministra Damares e o Secretário Raphael Câmara onde foi explicitada nova estratégia do MS [Ministério da Saúde] para a abordagem e tratamento precoce do Covid-19. Olha aí a fixação da turma: “tratamento precoce” – que não existe.

Empolgado com as recomendações alinhadas com o governo de seu líder Bolsonaro, Fortes acrescenta: “Na ocasião o CFM/AMB [Associação Brasileira de Medicina] saudaram a nova política reiterando a autonomia do médico para prescrever os medicamentos disponíveis no momento, naturalmente com a concordância formal do paciente. A abordagem precoce pode evitar o agravamento da doença preservando muitas vidas”. Vigarice.

Se o Conselho Federal está todo dominado pelos dogmas da seita bolsonarista, por aqui a coisa não parece muito diferente. Desde o começo da crise sanitária, o nosso Conselho Regional de Medicina de Alagoas foi de uma nulidade assombrosa. Nunca vi nada parecido que eu lembre agora. Silêncio total, omissão deplorável. A única manifestação pública do presidente Fernando Pedrosa foi para tumultuar o trabalho de quem está no batente.

Pedrosa levantou suspeitas sobre os dados da pandemia apresentados pela Secretaria estadual de Saúde. Foi em abril do ano passado. Na época critiquei aqui as palavras irresponsáveis deste senhor. Numa entrevista à Gazeta, ele simplesmente fazia divagações sobre coisas sérias, inventando “denúncias” a partir do nada. O trololó não passava de tentativa de chantagem. Ou de vingança. O vírus da politicagem é infernal.

Uma coisa tem a ver com a outra – as presepadas federais e estaduais. CFM e CRM não se parecem apenas nas siglas e letrinhas. Ligados a um pensamento reacionário, engajados em suas aventuras partidárias, embalados no delírio ideológico, médicos estraçalham a razão a golpes de bisturi e aderem ao negacionismo. É o mesmo que desprezar a vida e celebrar a morte – exatamente como tantas vezes já fez o vagabundo que preside o Brasil.

Que país e que tempos! É ou não é? Alguém sabe como anda o projeto de um vereador de Maceió para tornar a vacinação não obrigatória? Espero que já tenha sido levado ao destino ideal, que é a lata do lixo naturalmente. É por essas e outras que muita gente se pergunta: “Onde foi que erramos?”. A vacina está aí. Muito mais lentamente no Brasil do que precisamos. Tendo até conselhos de medicina como inimigos, vamo se ligar!

SOBRE O AUTOR

Sou formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Tenho quase trinta anos de jornalismo. Comecei, com estágios e trabalhos temporários, a partir de 1990. Em 1991 entrei na TV Gazeta de Alagoas. Na empresa exerci os postos de editor, produtor, chefe de redação e diretor de jornalismo. Depois fui editor de política em O Jornal. Adiante, trabalhei como editor de política e editor-chefe no jornal Gazeta de Alagoas. Tive também uma passagem pela TV Pajuçara como editor de telejornais. Exerci ainda o cargo de coordenador editorial na Imprensa Oficial Graciliano Ramos. Durante essa trajetória, nos diferentes veículos, escrevi reportagens e tive um blog com textos diários

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Os comentários são de inteira responsabilidade dos autores, não representando em qualquer instância a opinião do Cada Minuto ou de seus colaboradores. Para maiores informações, leia nossa política de privacidade.

Todos os direitos reservados