Blog do Celio Gomes
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Projeto sobre as polícias é ameaça ao Brasil

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Com a eleição de Jair Bolsonaro, a polícia sitiou de vez o território da política. O que sempre existiu, com um peso irrelevante e uma roupagem de tons meramente folclóricos, ganhou, nos tempos recentes, dimensões bem mais preocupantes. Civis e militares, de todos os postos e patentes, bateram todos os recordes na obtenção de mandatos – no Legislativo e no Executivo. Você sabe que basta uma olhada na lista de eleitos em 2018 e 2020 para se constatar o arrastão de sargentos, capitães, tenentes, coronéis... Além, claro, de delegados das polícias Civil e Federal. A turma da bala cresceu e não está de brincadeira. Este ano promete.

Em todos os estados, Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais têm hoje mais deputados e vereadores de origem policial como nunca antes na história deste país. Mais ou menos de repente, parece que cada região no Brasil tem sua cota de Cabo Bebeto – não sei se fui claro como deveria. Ou tem a cota de Fábio Costa. Com esse padrão político e intelectual, há um movimento pra tornar as polícias Militar e Civil entidades fora de controle, livres de prestar satisfação a qualquer esfera da República.

É o que haverá na prática caso prosperem no Congresso Nacional dois projetos que mudam tudo na gestão principalmente da PM. Resumindo, a Polícia Militar deixaria de ser subordinada aos governos estaduais e teria autonomia plena. Nem o governo federal, em tese, teria poderes sobre a corporação. Mas Bolsonaro está do lado do projeto. Ele quer transformar as polícias em braço armado e pronto para, se necessário, garantir um golpe.  

Pelo projeto, o comandante-geral da PM não seria mais uma escolha livre do governador. Este teria de escolher um nome a partir de lista tríplice votada entre oficiais. Essa invencionice combina com a louvação permanente de Bolsonaro acerca dessas categorias. O patético presidente não perde uma cerimônia de formação em escolas militares. Tudo calculado desde o princípio do desgoverno. “Golpe militar com Bolsonaro presidente”, lembram?

O slogan vagabundo esteve nas manifestações dos patos amarelos, inclusive nas passeatas em Maceió. E claro que na cabeça oca da tropa – o padrão é esse aí, lamento – Bolsonaro é visto como um Deus, um exemplo. Ou seja, um mito. E em seu nome esses milicos estariam dispostos a matar e morrer. A matar, no caso.

O Congresso tem de barrar essa excrescência. Além do objetivo exclusivamente autoritário, nada no projeto contribui para melhorar a segurança pública. Como se vê, é também uma iniciativa que eleva ao imensurável um corporativismo que é, e sempre foi, uma deformação jamais enfrentada. Essa jogada é um aceno para a barbárie.

Não exagero. Ao lado das tropas policiais, Bolsonaro sonha com uma milícia particular, formada por cidadãos de bem que estão se armando loucamente. Esse é o interesse da família Bolsonaro em passar a boiada sobre as regras de posse de arma de fogo – coisa que também depende do Congresso. O presidente conta com o Centrão.

É trágico para a jovem e frágil democracia brasileira ter de encarar essas ameaças totalitárias de quem foi eleito pelo voto popular. E os malandros que vivem nessa toada dizem falar em defesa da liberdade. Como diria Leonel Brizola, “é tudo filhote da ditadura”. Hoje, digamos, são os netos da ditadura. Essa gentalha tem de ser contida. 

SOBRE O AUTOR

Sou formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Tenho quase trinta anos de jornalismo. Comecei, com estágios e trabalhos temporários, a partir de 1990. Em 1991 entrei na TV Gazeta de Alagoas. Na empresa exerci os postos de editor, produtor, chefe de redação e diretor de jornalismo. Depois fui editor de política em O Jornal. Adiante, trabalhei como editor de política e editor-chefe no jornal Gazeta de Alagoas. Tive também uma passagem pela TV Pajuçara como editor de telejornais. Exerci ainda o cargo de coordenador editorial na Imprensa Oficial Graciliano Ramos. Durante essa trajetória, nos diferentes veículos, escrevi reportagens e tive um blog com textos diários

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