Blog do Celio Gomes
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Vitória de Arthur Lira na Câmara muda o jogo em Alagoas

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Pode-se falar em massacre. O deputado federal Arthur Lira (Progressistas) obteve 302 votos contra 145 do adversário Baleia Rossi (MDB) e é o novo presidente da Câmara. Com o dobro da votação, Lira mostrou que foi competente na costura de alianças, desde o ano passado, quando formalizou a candidatura. E, no balaio de apoiadores de todas as correntes, Jair Bolsonaro foi o cabo eleitoral mais engajado. Atormentado pela assombração de um impeachment, com uma Câmara parceira, o presidente espera uma blindagem incondicional a eventuais pedidos de abertura de processo.

O resultado da eleição apresenta ao Brasil mais um alagoano que chega ao topo da República. Antes dele, o único nome dessas bandas a presidir a Câmara, eleito em 2005, no meio de uma crise daquela época, foi Aldo Rebelo. Mas este fez carreira em São Paulo, sem participação direta na política alagoana. Thomaz Nonô (DEM) foi presidente interino, durante poucos dias, também em 2005. A vitória de Lira, portanto, é feito inédito.

O triunfo do filho de Benedito de Lira provoca agitação e deslocamentos em âmbito nacional, como se sabe. Mas há também as consequências no xadrez do poder em Alagoas. Desde o senador Renan Calheiros (MDB) – nos holofotes há três décadas –, nenhum outro parlamentar estadual havia chegado tão longe. O novo presidente da Câmara entra definitivamente para o grupo dos caciques, aquele com poderes bem acima do chão da fábrica.

“Chão da fábrica” foi a expressão usada por Arthur Lira em discurso após a vitória, ao se referir ao plenário da Câmara. Era a repetição da promessa de que, em sua gestão, vai prevalecer o “nós sobre o eu”. A fala é uma crítica aos supostos métodos centralizadores de seu antecessor, Rodrigo Maia (DEM). E é, em outras palavras, o compromisso de que, a partir de agora, o baixo clero será prestigiado como nunca foi. É algo a se conferir.

De volta a Alagoas, na eleição municipal do ano passado, Lira já deu mostras de sua força. Foi ele o principal patrocinador da candidatura a prefeito do deputado Davi Davino Filho (Progressistas). O candidato foi a grande surpresa na disputa pela prefeitura de Maceió, fechando o primeiro turno em terceiro lugar, mas em empate técnico com os dois primeiros colocados. A força de Lira na campanha se traduziu em verbas e alianças.

Também na batalha eleitoral do ano passado, o partido de Arthur Lira deu um salto no número de prefeituras que comanda no estado. Em 2016, eram 11 municípios administrados pela legenda. Com as urnas de 2020, a sigla está à frente agora de 29 cidades e perde apenas para o MDB. É base partidária de respeito para qualquer aposta.

E qual seria a aposta de Lira em relação a Alagoas, agora com os poderes que tem? É a conclusão mais óbvia, mas precisa ser registrada assim, claramente: ele acaba de se tornar nome de peso para 2022, virtual candidato a governador, na sucessão de Renan Filho (MDB). A eleição federal em Brasília mudou o jogo na arena alagoense.

(A foto lá no alto mostra o alagoano na estreia na cadeira de presidente da Câmara. Assim que assumiu, ele já deu uma pista sobre o que pode vir por aí. Numa canetada, anulou decisão de Rodrigo Maia sobre a formação de blocos partidários para a eleição que acabara de ser encerrada. Chegou atirando. Jair Bolsonaro aplaudiu).

SOBRE O AUTOR

Sou formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Tenho quase trinta anos de jornalismo. Comecei, com estágios e trabalhos temporários, a partir de 1990. Em 1991 entrei na TV Gazeta de Alagoas. Na empresa exerci os postos de editor, produtor, chefe de redação e diretor de jornalismo. Depois fui editor de política em O Jornal. Adiante, trabalhei como editor de política e editor-chefe no jornal Gazeta de Alagoas. Tive também uma passagem pela TV Pajuçara como editor de telejornais. Exerci ainda o cargo de coordenador editorial na Imprensa Oficial Graciliano Ramos. Durante essa trajetória, nos diferentes veículos, escrevi reportagens e tive um blog com textos diários

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