Blog do Celio Gomes
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Candidato de Bolsonaro, Arthur Lira está quase lá

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Nas páginas da grande imprensa, o alagoano Arthur Lira (foto), do Progressistas, lidera todos os levantamentos na eleição para presidente da Câmara dos Deputados. No Placar Estadão, por exemplo, ele teria hoje 226 votos contra 130 de Baleia Rossi, do MDB de São Paulo. A encrenca é que 123 parlamentares não declaram o voto – o que torna toda previsão uma aposta no escuro. Para levar no primeiro turno, o candidato precisa obter ao menos 257 votos. Se ninguém alcançar o número mágico, haverá segundo turno. Além de Lira e Baleia, outros sete deputados estão na disputa. 

Mas ninguém vê qualquer chance para ninguém fora os dois principais concorrentes. Para unificar a causa e o discurso, digamos assim, os partidos declaram posição sobre as candidaturas. Mas não é incomum que parte dos filiados rejeite a decisão da cúpula e vote contra a própria legenda. É que o voto é secreto. A traição partidária é uma das marcas registradas da eleição no Legislativo. De todo modo, o alagoano é apontado como favorito.

E esse favoritismo foi até vitaminado pelas ratadas no grupo adversário. Baleia Rossi é o candidato escolhido pelo atual presidente da Casa, Rodrigo Maia. Ocorre que o cacique enfrenta problemas em sua própria legenda, o Democratas. As coisas não combinam direito entre Maia e o baiano ACM Neto, o outro mandachuva no DEM. Nos últimos dias, a turma ficou mais tempo brigando entre os seus – o que expõe a perigosa crise na candidatura.

Do outro lado, mais governista do que nunca, Arthur Lira conta com o rolo compressor da máquina federal. Candidato de Bolsonaro, o parlamentar será um aliado vital do presidente no comando do parlamento. Lembrando o óbvio: para Bolsonaro, Lira é a garantia de blindagem a qualquer ação por impeachment. E preservar o mandato, como a gente tá cansado de saber, é o único projeto deste governo. É o que tá acertado.

Para dar apoio ao alagoano, a turma bolsonarista, espalhada por diferentes partidos, exige a contrapartida em outra moeda. Trata-se da “pauta de costumes”. Caso eleito, Lira deverá agir para passar a boiada de projetos na contramão dos direitos humanos e outras sandices. A ridícula ideia do “Escola sem Partido” voltaria com tudo.

Outro projeto da turma é liberar geral a posse e o porte de armas. Querem tornar a coisa ainda mais depravada do que já é. Pistola e revólver pra todo mundo. Fortunas para as grandes fabricantes de armamento. Lira prometeu que, sob sua presidência, a Mesa vai pautar tudo isso daí. Com essa plataforma, está confiante na vitória. 

Nesta sexta-feira, Bolsonaro deu mais um claro sinal de como está interferindo na eleição do Congresso. Ele cogitou recriar os ministérios da Pesca, o da Cultura e o do Esporte. As três pastas passaram a ser secretarias no atual governo, mas, diante das demandas políticas, tudo muda. São moedas de troca no negócio com Lira.

A eleição para presidente da Câmara ocorre na próxima segunda-feira, primeiro de fevereiro. Tá em cima. Lira é mesmo favorito, mas não pode vacilar. No Senado, parece que a parada está definitivamente resolvida. Vai ganhar o senador mineiro Rodrigo Pacheco (DEM). Também é o candidato de Bolsonaro. Rapaz, que tempos!

SOBRE O AUTOR

Sou formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Tenho quase trinta anos de jornalismo. Comecei, com estágios e trabalhos temporários, a partir de 1990. Em 1991 entrei na TV Gazeta de Alagoas. Na empresa exerci os postos de editor, produtor, chefe de redação e diretor de jornalismo. Depois fui editor de política em O Jornal. Adiante, trabalhei como editor de política e editor-chefe no jornal Gazeta de Alagoas. Tive também uma passagem pela TV Pajuçara como editor de telejornais. Exerci ainda o cargo de coordenador editorial na Imprensa Oficial Graciliano Ramos. Durante essa trajetória, nos diferentes veículos, escrevi reportagens e tive um blog com textos diários

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