Foi um rebuliço danado a edição do Diário Oficial do Município de Maceió, da quinta-feira (21), em que  constava um ato assinado pelo prefeito João Henrique Caldas,( Projeto de Lei, de autoria do vereador Luciano Marinho), autorizando a  retirada do nome da  praça de Dandara para dar lugar ao da  santa branca. Bem no dia Nacional de Combate a Intolerância Religiosa.  

Só no meu zap-zap choveram 50 vezes mensagens, tipo: você viu?  E também fui entrevistada sobre o assunto, pelo jornalista Carlos Madeiro, par UOL.

Mas, me permiti  ser espectadora e fiquei acompanhando  a virtual mobilização popular para demover o prefeito da proposta  de mudança, e “Eureka” o intento foi alcançado. João Henrique Caldas, o prefeito,  retroagiu.

Mas, quem é essa Dandara?-indagavam internautas e o vereador-dono-da-proposta, defendeu-se afirmando  que a proposta de mudança se deu pelo total DESCONHECIMENTO da história.

Confesso que não conheço a praça , e nem sei  do seu histórico (há quase 26 anos é palco de encontros e manifestações afro- brasileiras-assim foi descrita),tanto é que no  primeiro tour no gênero(Circuito Afro Se Essa Rua Fosse Minha),pela Maceió Negra, realizado, em novembro de 2015, pelos cantos-da-memória, não constava a visitação à praça.

O Circuito Afro Se Essa Rua Fosse Minha, uma iniciativa pioneira do Instituto Raízes de Áfricas, surgiu  como instrumento de intervenção,(( Lei federal nº 10.639/03), Lei estadual nº 6.814/07), objetivando promover a visão estratégica e crítica  em crianças e adolescentes possibilitando a  construção da  cidadania,  a partir do conhecimento ,cultivo da memória , da história e dos testemunhos do passado, baseado  na dimensão integradora da cultura negra.

Participaram do circuito  a Consulesa da França, Alexandra Loras e a escritora-jornalista-paulistana, Bianca Santana.

E aí a gente fica se perguntando: por que  a história  de Áfricas e suas africanidades brasileiras ( Lei  federal nº 10.639/03), Lei estadual nº 6.814/07), não despertam a indignação coletiva, ou mesmo a curiosidade  desse monte de gente #Dandara-na-praça?

Não adianta Dandara ter voltado à praça enquanto à educação antirracista ficar de  fora dos bancos da escola. Sem a ressignificação da história de [email protected] nos currículos escolares, a luta vai ser igualzinho como  ficar varrendo água, em dia de chuva.

Você já conseguiu varrer água?

É preciso valer a  Lei federal nº 10.639/03 e  Lei estadual nº 6.814/07!