Blog do Celio Gomes
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O impeachment de Bolsonaro e as Forças Armadas

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Jair Bolsonaro acusou o golpe e sabe que seu mandato está a perigo. Por isso, dia desses, ele juntou na mesma frase as palavras democracia, ditadura e Forças Armadas. Na imprensa nacional, em editoriais e nas mais diversas vozes de colunistas, só se fala do impedimento para o presidente desqualificado que vai destruindo o Brasil. Defende-se largamente a abertura de processo de impeachment pra dar fim à crise permanente incendiada pela delinquência do miliciano que desonra a Presidência. Crime de responsabilidade é o que não falta. O mais grave de todos: o atentado contra a saúde pública.

São dezenas de pedidos na gaveta de Rodrigo Maia. Na reta final de seu mandato no comando da Câmara, é improvável que ele tome a iniciativa de pautar o assunto. Daí que todo mundo especula sobre o comportamento do futuro presidente da Casa diante do tema. Como se sabe, o alagoano Arthur Lira disputa o cargo com o apoio explícito de Bolsonaro. Seu principal adversário, Baleia Rossi, também não é entusiasta da ideia.

Em dois anos de completo desgoverno, há retrocesso brutal em todas as áreas. Da economia ao meio ambiente, na educação e na saúde, a miséria de resultados é incontestável. As “vitórias” que os devotos da seita celebram são as armas e o desmonte de políticas sociais. Os celerados que seguem cegamente o vagabundo Bolsonaro continuam em guerra contra o globalismo, o comunismo e a ideologia de gênero. É caso para a psiquiatria.

Mas não só isso. Há um dado objetivo que foi se tornando cada vez mais explícito no discurso, na postura e nas ações de Bolsonaro e seu gado: os “liberais conservadores” abominam essa história de combate às desigualdades sociais. A ironia é que o maior representante dessa visão, o ministro da Economia, Paulo Guedes, é um fracasso estrondoso. De superministro a tosco serviçal de um tiranete, Guedes parecia que jamais rastejaria a esse ponto.

Não que a expectativa fosse lá grande coisa. Mas ele dizia que o jogo seria de seu jeito – ou pegaria o boné e iria embora. Mas não. Viu-se que o cara faz qualquer bagaceira para se manter no posto. Nada do que prometeu chegou nem perto de se concretizar. A pauta liberal – privatizações e reformas estruturais à frente – é pura ficção.

Mas tudo isso, a essa altura, já nem está em debate. Ou melhor, está em debate, mas deixou de ser decisivo para o que é necessário. E o mais urgente, a cada dia, é o país se livrar do criminoso que atazana a vida dos brasileiros. Claro que ele pode seguir adiante e chegar a 2022 pronto para brigar pela reeleição. Está Jogando tudo pra isso.

Nessa hipótese, perfeitamente possível, o país estará em transe. E o resultado da eleição – lembrando Trump nos Estados Unidos –  detonará abalo inédito. Não foi isso o que Bolsonaro já anunciou? Com todas as letras disse que ou tem voto impresso ou será ainda mais grave do que a confusão americana. É uma ameaça de “autogolpe.

Daí porque o desprezível negacionista recorrer à retórica criminosa ao arrastar as Forças Armadas para seu projeto golpista. Com a gestão sitiada por militares – em funções para as quais são incompetentes –, o capitão da tortura aposta nessa base. Há meios formais para frear esse rastaquera, tremendo pária aos olhos do mundo.

SOBRE O AUTOR

Sou formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Tenho quase trinta anos de jornalismo. Comecei, com estágios e trabalhos temporários, a partir de 1990. Em 1991 entrei na TV Gazeta de Alagoas. Na empresa exerci os postos de editor, produtor, chefe de redação e diretor de jornalismo. Depois fui editor de política em O Jornal. Adiante, trabalhei como editor de política e editor-chefe no jornal Gazeta de Alagoas. Tive também uma passagem pela TV Pajuçara como editor de telejornais. Exerci ainda o cargo de coordenador editorial na Imprensa Oficial Graciliano Ramos. Durante essa trajetória, nos diferentes veículos, escrevi reportagens e tive um blog com textos diários

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