Blog do Celio Gomes
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Millane Hora, o namorado senador e a Timbalada

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Millane Fabrícia da Hora Figueiredo Fortes (Arapiraca, 22 de maio de 1985) é uma cantora e compositora brasileira. O que você acaba de ler foi copiado e colado por mim direto da Wikipédia, a autointitulada enciclopédia livre – que todos nós consultamos na internet em busca de socorro imediato para a ignorância sobre o mundo. A alagoana começou a trajetória nos palcos da música ainda criança, lá pelos 13 anos. Muito tempo depois, ela foi bater no The Voice Brasil, da Globo, e numa traumática passagem pela mitológica Timbalada (foto). Agora, vive novo trauma, de outra ordem.

A cantora acaba de postar um vídeo com um desabafo. Ela informa ter desistido do cargo de assessora especial na Secretaria de Assistência Social da Prefeitura de Maceió. A nomeação da jovem artista, que também é advogada, provocou duras reações nas redes sociais. É que ela é namorada do senador tucano Rodrigo Cunha, com forte influência sobre o prefeito JHC. Ela teria sido nomeada apenas por esse requisito emocional.

Não podemos, a rigor, fazer tal acusação. O problema nesses casos, e na política especialmente, é a percepção dos fatos. Não adianta o senador fingir que nada tem a ver com a advogada e cantora – e querer que a plateia acredite nessa ética escorregadia, digamos assim. Não. Fica a impressão de coisa meio fora de lugar. A assessora-relâmpago então, diante desse oceano de desconfiança, recusou o convite já materializado em Diário Oficial.

Assim como no episódio da Timbalada, agora Millane tomou um rumo que não era sua escolha livre e voluntária. Na banda de Salvador, o estranhamento foi imediato; a química não rolou, e aí ela ficou apenas sete meses como a principal vocalista do grupo formado e guiado até hoje pelo monstro Carlinhos Brown. Os fãs (e os fanáticos) rejeitaram aquela moça “diferenciada” e exigiram uma escolha com a “cara” da Bahia e dos baianos.

Quando foi forçada a deixar a Timbalada, a cantora publicou texto, tornando pública sua versão. Apesar de não atacar ninguém e exaltar até os orixás, há uma e outra farpa para o ídolo que a decepcionou, o Carlinhos Brown. Hoje, ela recorre a um vídeo de mais de quatro minutos para se explicar sobre a encrenca com o cargo municipal.

O leitor pode conferir o relato de Millane aqui no CM. Ela fala com firmeza, mas o tom é calculado para mostrar que está tudo bem. Nenhuma menção a seu namorado, aquele senador. Ela também tenta emplacar algo como indignação diante da reação contra seu emprego que lhe renderia salário de 11 mil reais. Ela tem personalidade.

A quase assessora da prefeitura revela ainda que trabalha há tempos com pessoas vulneráveis. No cargo, poderia fazer muito mais, como dizem os slogans. Ela afirma ser independente e exalta um de seus traços dos quais se orgulha: encara desafios com “a cara e a coragem”. Ok, ok, mas a sombra do apadrinhamento é pesada.

Por isso, se é difícil acreditar em coincidências e meritocracia nesta nomeação, reconheça-se o gesto de Millane Hora ao desistir do posto. Ela não queria sair, é verdade, mas sabe que não valeria a pena esse fardo – a imagem de quem ganhou emprego via namorado. Mesmo contrariada, tomou a única decisão decente que poderia tomar.

SOBRE O AUTOR

Sou formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Tenho quase trinta anos de jornalismo. Comecei, com estágios e trabalhos temporários, a partir de 1990. Em 1991 entrei na TV Gazeta de Alagoas. Na empresa exerci os postos de editor, produtor, chefe de redação e diretor de jornalismo. Depois fui editor de política em O Jornal. Adiante, trabalhei como editor de política e editor-chefe no jornal Gazeta de Alagoas. Tive também uma passagem pela TV Pajuçara como editor de telejornais. Exerci ainda o cargo de coordenador editorial na Imprensa Oficial Graciliano Ramos. Durante essa trajetória, nos diferentes veículos, escrevi reportagens e tive um blog com textos diários

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