Rosiane Rodrigues é uma macumbeira arretada, doutora em antropologia , pesquisadora da Universidade Federal Fluminense , estudiosa  premiadíssima em pretitudes e religião afro e minha amiga e com uma percepção aprofundada  sobre mundos e gentes.

Às vezes, o afeto é também instrumento de manipulação.  Rosiane escreve:

"Todos nós nos enganamos. Muitas vezes fazemos uma ideia supervalorizada do "outro". Quantas vezes fomos traídos por pessoas que se diziam nossos amigos? Quantas vezes, as pessoas que sentaram em nossas mesas, se alimentaram dos nossos conselhos, beberam do nosso afeto, na primeira oportunidade nos caluniaram, roubaram, mentiram?  

Quantas vezes, aqueles em quem confiávamos, aproveitaram-se das nossas fraquezas para tirar algum tipo de vantagem - por menor que fosse?

Há aqueles (amigos, pessoas próximas e até mesmo familiares consanguíneos) que nos causam enormes decepções porque descobrimos - muitas vezes, incrédulos - que estávamos equivocados quando os julgamos honestos, honrados, sinceros e leais?

De fato, para quem é portador de bom caráter e pratica o exercício da empatia e solidariedade com as pessoas, é fácil ser enganado porque julgamos os outros de acordo com nossas próprias ações e medidas. É o umbigo de cada um de nós, a medida do nosso julgamento. Por outro lado, a desonestidade, o mau caratismo, a mentira e a ganância dos outros não devem nos servir de pretextos ou justificativas para que nos tornemos (,em práticas, sentimentos e pensamentos) como aqueles que nos enganaram. Cada um só dá o que possui.  

Por isso, confie: você poderá se decepcionar muitas e muitas vezes; poderá ser traído, roubado, enganado por quem você mais depositou afeto; poderá receber ingratidão, acusações e as piores palavras de quem você um dia chamou de [email protected] e/ou [email protected] de jornada, mas nada disso lhe definirá ou será maior que você.  

Caminhe sabendo que você cuidará para jamais ser como aqueles que trairam, mentiram ou roubaram.  

Que Exu e Ogun nos defendam e afastem essa gente má das nossas vidas. "