Após uma reportagem exibida na edição do Fantástico desse domingo (12), o caso Izabelle voltou a ganhar repercussão. De acordo com a matéria, o laudo da Polícia Federal (PF) revelou que a arma apresentou defeito, o que teria causado a morte da militar. O pai de Izabelle, Cláudio Silva, disse à reportagem do Cada Minuto que acredita que houve ação humana e que a Justiça de Alagoas é lenta.

Três anos após o acontecimento, o pai de Izabelle Pereira dos Santos, 24 anos, contou que não descarta a possibilidade de ter sido um homicídio. Para ele, a arma, mesmo que apresentasse defeito, não teria disparado várias vezes contra a militar.

“Acredito que a arma estava com defeito, mas se eu deixo uma arma com defeito, ela não vai disparar nunca, mas se alguém acionar o gatilho, ela vai disparar”, ressaltou.

“No laudo da Criminalística diz que a arma foi disparada por ação humana, não diz qual foi a ação, sabemos que a arma tem defeito, mas para a arma disparar, alguém acionou o gatilho”, informou o pai.

Investigações

Claudio Silva disse que o processo ainda está tramitando no Ministério Público e que outro processo também está na auditoria militar.

“A Justiça é lenta. O caso aconteceu há três anos e até agora ninguém se pronunciou. Eu creio que agora que o caso voltou à tona, creio que o processo será mais rápido”, contou.

Cláudio também disse que o exame residuográfico não foi feito e que explicaria a dinâmica do fato. “O residuográfico não quer dizer que alguém tenha intenção, mas pelo menos a gente saberia a dinâmica dos tiros. Agora não adianta mais”.

Críticas ao Estado

De acordo com Cláudio, o Estado não tomou nenhuma medida, nem com relação a parte processual nem a parte indenizatória.

“Caiu um avião há pouco tempo e todos foram indenizados. Minha filha morreu há três anos e eu nunca recebi nada. Não tive indenização após a morte, nem o governador do Estado, Renan Filho e nem do comandante-geral da Polícia Militar se pronunciaram. Não é filha deles, se fosse filha deles talvez eles se pronunciassem”, desabafou o pai.

Para finalizar, o pai disse que não acredita na Justiça do Estado de Alagoas e quer que o Estado repare o erro que foi feito.

O caso

Izabelle Pereira foi atingida por disparos de uma submetralhadora no dia 31 de agosto. A policail estava dentro de uma viatura da RP, juntamente com outros três colegas, quando seguia para um chamado no bairro de São Jorge, em Maceió, e foi surpreendida pelos disparos. não são descartadas.

Levada às pressas para o Hospital Geral do Estado (HGE), a militar deu entrada em estado grave e foi direto para o centro cirúrgico onde passou por um procedimento para retirada das balas e sutura dos ferimentos. Ainda na chegada ao hospital, a paciente sofreu duas paradas cardíacas. 

Leia Mais: Caso Izabelle: perícia conclui que gatilho de arma que matou PM foi acionado

Leia Mais: Inquérito do caso Izabelle é concluído e dois militares são indiciados por homicídio culposo