O advogado e familiares do delegado aposentado da Polícia Federal, Milton Omena Farias, morto em janeiro deste ano, decidiu falar com a imprensa nesta quinta-feira, 19, e expor alguns fatos que ainda não foram noticiados sobre o processo que está parado desde julho na Comarca de Paripueira. A família também acredita na participação de outro familiar no crime.

Em contato com a reportagem do CadaMinuto, o advogado da família de Milton, Thiago Pinheiro, pediu celeridade para dar início ao processo que partiu de uma denúncia do Ministério Público em que o neto, Milton Neto, teria cometido homicídio qualificado contra o avô e não em legítima defesa, como foi alegado pela defesa do jovem.

“Essa denúncia precisa ser recebida pela juíza [de Paripueira] para determinar citação dos réus e ter início dos processos. Sendo que até o momento nada ainda foi feito. Então viemos pedir que esse processo ande, quando já teve denúncia e ainda não foi recebida”, disse o advogado.

Em seguida, Thiago saiu em defesa de Milton Omena ao dizer que o delegado não era uma pessoa violenta e incapaz de matar a própria filha, a jornalista Márcia Rodrigues, que, segundo laudo pericial, teria cometido suicídio no ano passado.

“Tentaram destruir moralmente o delegado quando deram declarações ofensivas a honra dele, enquanto o inquérito do processo mostra que várias testemunhas da PF e do condomínio onde morava diziam que ele era uma pessoa pacata, tranquila e avessa a violência. Um bom avô e um bom companheiro”, explicou Thiago.

Participação de terceira pessoa

Por fim, familiares de Milton Omena acreditam na participação de uma terceira pessoa no crime, sendo um outro familiar do delegado e do suspeito de ter cometido o crime. “A família acredita na participação de uma outra pessoa, mas não como autora ou co-autora do crime e sim como partícipe. Ela não estava na casa no momento do crime, mas deu auxílio ou instigou o próprio menino a fazer isso”, concluiu Thiago Pinheiro.

O caso

A morte do delegado ocorreu no dia 27 de janeiro deste ano em condomínio situado na cidade de Paripueira, no Litoral Norte de Alagoas. Segundo informações do major Paulo Eugênio, Milton Omena Neto, 23 anos, foi preso em flagrante após assassinar o avô.

Leia mais: Delegado da Polícia Federal é assassinado a facadas pelo neto em condomínio

Em seu depoimento, Milton Neto relatou que procurou o avô para que ele confessasse que havia executado a sua mãe, a jornalista Márcia Rodrigues, em agosto do ano passado.

A Perícia Oficial do Estado de Alagoas informou, na manhã desta quinta-feira, 19, que de acordo com o resultado final do exame residuográfico nas amostras recolhidas pelo perito criminal Jeiely Ferreira, Márcia Rodrigues teria se suicidado. O exame mostra uma elevada quantidade de resíduos característicos e indicativos de disparo de arma de fogo na vítima fatal.

*Estagiário