Mais uma travesti foi assassinada a facadas em Alagoas na madrugada desta quarta-feira (02) no município de Palmeira dos índios. O presidente do Grupo Gay de Alagoas (GGAL), Nildo Correira, disse à reportagem do Cada Minuto que falta políticas públicas no Estado e afirmou cobrar à Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP/AL) a reativação do Grupo de Trabalho (GT).

Segundo informações da polícia, Manoel de Melo, conhecida como “Mary Montilla ou Peu”, de 26 anos, foi executada com facadas no pescoço, enquanto retornava para casa, após ter ido a um bar no centro da cidade.

Ainda não se tem a identificação do autor do crime e também o motivo do assassinato. A faca utilizada durante os golpes foi encontrada ao lado do corpo de Manoel.

Estiveram no local o Instituto de Criminalística (IC) e o Instituto Médico Legal (IML) para a realização dos procedimentos padrão.

Pronunciamento do Grupo Gay de Alagoas

O presidente do GG/AL, Nildo Correira, informou a preocupação em relação à falta de políticas de segurança pública no Estado voltada para a classe gay. “Só em 2017, estamos com mais da metade de mortos de LGBT do que na mesma época, em 2016”, disse.

Segundo Nildo, o GGAL vem pressionado a Secretaria de Segurança Pública (SSP) para a reativação do Grupo de Trabalho (GT), que era responsável pelo monitoramento de assassinatos e agressões físicas e morais aos LGBT. O Grupo de Trabalho está desativado desde o começo da nova gestão da secretaria.

“O objetivo do GT era também de acompanhar e assessorar a SSP com implantações de políticas inclusivas e prevenção a violência aos gays. Não existem medidas de prevenção à segurança para nós”, disse o presidente.

Ainda de acordo com Nildo, a SSP não deu nenhum prazo para o retorno do Grupo de Trabalho, mas se até o dia 15 de agosto não for reativado, eles pretendem acionar o Ministério Público. “É uma ferramenta que não gera despesa para o Governo, e ai fica o questionamento para a SSP. Eles não foram capaz de reativar algo tão simples, como que vão pensar em  políticas de prevenção?”, completou.

O presidente ainda se lamentou sobre a vítima, comentando sobre mais uma pessoa que perdeu sua vida para a homofobia no Brasil. Esse já é o 75º caso de homicídio a travesti no país.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação da SSP e aguarda posicionamento.

*colaboradora