O subcomandante da Polícia Militar, coronel Wilson da Silva, encaminhou à corregedoria da PM uma solicitação para abrir um Procedimento Administrativo Disciplinar para apurar o possível envolvimento de militares alagoanos no esquema que fraudou pelo menos 60 concursos públicos em vários estados do Nordeste. A Polícia Civil da Paraíba divulgou que pelo menos outras 40 pessoas podem estar envolvidas na fraude.
Ontem (07) a Polícia Civil da Paraíba disse ao CadaMinuto que entre os detidos estão Vicente Fabrício Borges e Flávio Nascimento Borges, irmãos que passaram em diversos concursos em Alagoas, entre eles o da Ufal, onde Flávio teria sido aprovado em dois cargos ao mesmo tempo. De acordo com o delegado Lucas Sá, os irmãos acumulam cargos na Polícia Militar de Alagoas.
A assessoria de comunicação da Polícia Militar de Alagoas disse hoje (08) ao CadaMinuto que o procedimento irá investigar se há militares envolvidos no esquema e confirmar se os nomes divulgados ontem pela polícia paraibana compõem o quadro da PM. O procedimento, após instaurado, tem prazo de 30 dias para conclusão.
Já a assessoria da Polícia Civil de Alagoas informou que aguarda oficialmente uma solicitação para colaborar com as investigações.
O caso
No domingo 19 pessoas foram presas acusadas de fraudar pelo menos 60 concursos. Durante 12 anos de atuação, a quadrilha movimentou cerca de R$ 18 milhões de reais.
As investigações da "Operação Gabarito" duraram cerca de três meses e foram comandadas pela Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF). Os envolvidos no esquema auxiliavam os candidatos através de um sistema de pontos eletrônicos e, para isso, cobravam valores que chegavam até R$ 150 mil.
Um grupo de dez pessoas foi detido em um condomínio de luxo no bairro do Cabo Branco, em João Pessoa, que funcionava como escritório da quadrilha. A PC chegou até o local após denúncias relacionadas a um concurso do Ministério Público Estadual do Rio Grande do Norte (MPE/RN). Os agentes apreenderam sete carros pertencentes ao grupo e mais diversos objetos utilizados nos golpes, como pontos eletrônicos, baterias, provas de concurso e cartões de crédito. Na cidade de Natal (RN), outras nove pessoas foram presas com suspeita de participação nas fraudes.
O delegado de defraudações e falsificações de João Pessoa, Lucas Sá, disse à imprensa paraibana que investiga outras 21 pessoas suspeitas de envolvimento no esquema, mas que o número de envolvidos pode passar dos 40.
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