Em novembro de 2012 escrevemos esse texto para o blog, e agora em 2016 adptamos à realidade atual , que quatro anos depois é a mesmissima.

 

Davi Silva era ( assim mesmo no passado), um jovem pobre, preto, morador  de uma periferia longe e esquecida, na capital das Alagoas,  Maceió,  um canteiro de corpos pretos insepultos. Maceió vive uma situação de extermínio, e o corpo de Davi, até hoje,  está desaparecido.

Desapareceu depois de uma abordagem policial, no dia 25 de agosto, no bairro Benedito Bentes.

O bairro Benedito Bentes  construído, em 1986  e localizado na parte alta da cidade é considerado um dos  bairros, com maior índice de violência.O  bairro cresceu tanto que virou “uma cidade”.Uma “cidade” inchada de vulnerabilidade para jovens pobres e pretos.

Dos muitos, incontáveis, invisíveis naturalizos jovens vítimas de homicídios por ano, 77% são negros.

O Benedito Bentes é um territórios vulnerável!

Foi no bairro Benedito Bentes  onde mora  e desapareceu Davi, que   a então candidata a reeleição Dilma Roussef veio fazer  campanha, no segundo turno,  e com ela arrastou uma multidão de jovens que se emocionaram com a história da Dilma-vitima da ditadura.

Essa mesma multidão comovida com a história da presidenta, não  está nem aí para tortura da exclusão que sofre Davi. Davi é um produto  socialmente descartável.  E,  a mãe dele um verdadeiro coração valente.

Davi  Silva é mais um na estatística dos invisíveis jovens desaparecidos pelo sopro selvagem  da violência normatizada, institucionaliza e consentida. Socialmente.

O Davi Silva das Alagoas é um Amarildo,  que desaparecido não provoca a comoção social. Se sumiu é naturalmente culpado- pensam muitos.

A taxa de homicídios de negros no Brasil é de 36 para cada 100 mil; para não negros, ela é de 15,2. Ou seja, para cada homicídio de não negro no país, 2,4 negros são assassinados. Em Alagoas, estado que encabeça a lista, o índice sobe para 17,4 negros mortos para cada não negro assassinado.

A gestão da prefeitura de Maceió, Secretaria de Estado da Mulher e Direitos Humanos, Secretaria de Estado da Juventude, , os conselhos voltados à questão racial, , AL silenciam- coniventes- diante  da sangria dos corpos mortos, expostos, desaparecidos.

É a história  perversa do preconceito continua fazendo vitimas.

E nunca mais ninguém viu, o  Davi.

Faz quatro anos.

Estamos no mês da consciência negra.

 

Texto adaptado de outro escrito em 2012