Diante dos números da violência em Alagoas, o Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol) realizou um ato na manhã desta quinta-feira (27) classificado como “sepultamento da segurança pública”. Agentes da PC criticaram a falta de política de segurança do governo do Estado e rebateram as declarações do secretário, Coronel Lima Junior, de que tudo estaria sob controle.
O ato organizado propositalmente na orla de Maceió, tendo em vista que a região tem reforço da segurança e mesmo assim, dois homicídios foram registrados durante a semana.
Os números da violência por sinal, foram debatidos pelos agentes, que montaram uma tenda e colocaram um caixão que simbolizava o “sepultamento da segurança pública”, como explicou o vice-diretor jurídico do Sindpol, Ricardo Nazário.
“O Sindpol organizou esse ato para convocar a categoria e a população para o sepultamento da segurança pública. Em 21 meses, já aconteceram 3.175 homicídios, 952 estupros, além dos roubos a pedestres, carros, bancos e outros crimes”, disparou.

O sindicalista não esqueceu dos dois homicídios na orla da capital. “A orla de Maceió é o local mais seguro e protegido de Alagoas. Se neste lugar aconteceram dois homicídios, imagine os locais mais distantes”, questionou.
A categoria também rebateu as declarações do secretário de segurança pública, Coronel Lima Junior, de que apesar dos números da violência, a situação estava sob controle e criticou duramente a atuação do governo do Estado.
“Na verdade não é falta de efetivo da Polícia Militar ou da Polícia Civil. O problema é falta de política de segurança de médio-longo prazo. Governo não tem política e fica fazendo arranjos. Tira policial das delegacias, coloca para fazer atribuições que não são da Polícia Civil. Ficam fazendo esses arrumados para ludibriar a população alagoana”, criticou e ainda reforçou que a categoria não pretende deflagrar greve.
“A Polícia Civil não vai fazer greve. A Polícia Civil está sendo forçada a deixar de ir para rua, porque não temos coletes balísticos, que já estão vencidos. Queremos denunciar isso”, finalizou.
Segundo informações apuradas pelo CadaMinuto, os coletes estão vencidos desde o dia 12 de agosto. No entanto, esta semana, foi publicada no Diário Oficial do Estado, uma portaria que determina o recolhimento destes coletes, encaminhando a aquisição de novos equipamentos. Porém, a categoria questiona o intervalo de tempo até a chegada dos novos coletes.
Governador responde o ato da Polícia Civil
O governador Renan Filho esteve no Parque da Pecuária, no bairro do Trapiche, para evento oficial e comentou o ato realizado pela Polícia Civil, que apontou como injusto. "Primeiro, não é verdade que a segurança pública merece seupultamento. É uma grande injustiça. Alagoas é o Estado que reduz violencia no nordeste e todos sabem disso, enquanto o Brasil cresce nesse números. Alagoas tem salários em dia, enquanto outros estão com salários atrasados. Policiais querem mais salários, num momento de crise. Eles pediram 60% de salário de delegado e agora querem um salário muito mais alto", disse o governador, reafirmando que segue com o canal de diálogo aberto com a categoria.
"Estamos dialogando. Essa semana houve uma conversa. Eles já fizeram greve, fecharam porto, coisas arbitrárias. Democraticamente todos podem fazer, público ou privado e eu vou respeitar", afirmou.
Renan Filho ainda lembrou da redução no número de crimes no Estado, para fazer o contraponto diante da manifestação. "Nós tivemos em setembro, o menor número de homicídios desde 2012. Esses homicídios estão vinculados diretamente ao uso de drogas. Não quer dizer que o trabalho em Alagoas é infalível. Nossa capital que era a mais violenta, perdeu esse título. Todas as outras são do nordeste e isso precisa ser dito. Quando fazem greve, devem dizer isso: Estou parando porque quero mais salário. Salário maior. Para que as pessoas saibam. Nós vivemos um momento de garantir pagamentos", concluiu.
*Colaboradora


