Advogados de defesa e acusação e o Ministério Público do Estado (MPE/AL) acreditam que todas as dúvidas acerca da morte do capitão Rodrigo Rodrigues, do Batalhão de Polícia de Rádio Patrulha (BPRp,) ocorrida no dia 9 de abril, durante o exercício de sua função, devem ser esclarecidas na reconstituição que teve início da noite desta quarta-feira (31), e deve entrar na madrugada desta quinta (1).

Mesmo não sendo obrigado a participar, o acusado de executar o agente participa dos trabalhos, que tem o envolvimento do  Instituto de Criminalística (IC), Delegacia de Homicídios e outros órgãos. O suspeito é a peça chave para que todas as incertezas sejam elucidadas. 

De forma silenciosa e segurando uma faixa com a frase: “não foi legítima defesa”, a família do capitão acompanha a reprodução simulada.

Segundo o advogado Welton Roberto, Agnaldo Vasconcelos atirou sabendo quem estava ali era um policial militar. “Não se tratou se legítima defesa. Nós temos testemunhas que afirmam isso. Hoje, teremos a prova técnica de tudo que anexamos ao processo”, frisou o Doutor em Direito, ao relembrar que a arma do acusado estava registrada, mas ele não possuía o porte.

Representando o MPE, o promotor José Carlos Malta diz que, com os trabalhos, novos agravantes podem surgir. “Vamos juntar essa simulação as outras provas que estão nos autos”.

Pita de Omena, advogado do suspeito, disse que a reprodução é de suma importância. “Há divergências no depoimento de testemunhas e no laudo do Instituto Médico Legal (IML)”. O defensor reforça a tese de legítima defesa. “Ao ser acordado, o meu cliente acreditava que estava sendo vítima de um assalto”.

O fato

O crime ocorreu na noite do dia 9 de abril, na casa de Agnaldo Lopes, localizada no loteamento Jardim Petrópolis II, bairro Santa Amélia, em Maceió, quando o militar buscava recuperar um aparelho celular roubado.

Segundo o inquérito policial, o celular tinha um aplicativo antifurto, com função de rastrear o eletrônico por meio de GPS. O geolocalizador registrou como última localização do aparelho uma área com raio de cinco metros, onde se encontrava a casa do denunciando. Acompanhado pela guarnição e pela vítima do roubo, o capitão Rodrigo Rodrigues bateu à porta da residência de Agnaldo Lopes e identificou-se como policial, pedindo para entrar.

Conforme o MPE, diante da negativa do residente, o militar subiu ao muro da casa, no momento em que foi surpreendido com dois disparos, vindo cair para o lado externo da casa. A guarnição prestou socorro de mediato, mas o capitão não resistiu aos ferimentos e veio a falecer no Hospital Geral do Estado.

A Polícia Civil apurou, posteriormente, que o roubo do aparelho celular foi praticado por Ronaldo Paiva de Amorim Júnior e José Romão da Silva Júnior. Este último mora numa casa próxima da residência do denunciando, dentro do raio de cinco metros apontado pelo geolocalizador.