As negociações entre o Executivo e o Sindicato dos Policiais Civis (Sindpol) não avançaram em reunião ocorrida na noite desta quinta-feira (28), no Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas (TJ/AL). O presidente da Corte, desembargador Washington Luiz Damasceno Freitas, intermediou o encontro. 

De acordo com a assessoria de Comunicação da instituição, o presidente do TJ ouviu os apelos do movimento e a contraproposta do Governo, que foi representado pelo procurador Augusto Galvão e pelo secretário de Segurança Pública Lima Júnior.  

O setor de comunicação do Tribunal de Justiça informou aos jornalistas que integrantes do Sindpol irão se reunir com agentes e escrivães nesta sexta-feira (29), às 11h. Eles discutem se irão deixar ou não o Porto de Maceió, que está ocupado desde a última terça-feira (26).

Vale ressaltar que na noite de ontem (27), como o CadaMinuto veiculou, o juiz Henrique deferiu a imediata reintegração de posse do local.

De acordo com a ascom do TJ, mesmo com a ordem, o Judiciário aguardando pelo “bom senso” dos policiais, a fim de se evitar um desgaste desnecessário.

O presidente do TJ disse acreditar que o encontro esta noite não chegou a um denominador comum devido ao não comparecimento do secretário Cristian Teixeira, da Planejamento Gestão e Patrimônio (Sepleg), que está numa viagem representando o governador Renan Filho.

Uma nova reunião com representantes Executivo, Judiciário e do Sindpol está marcada para as 17h desta sexta.

Em relação aos fatos, o Governo emitiu uma nota à imprensa. 

Veja na íntegra o conteúdo do comunicado:

O Governo do Estado de Alagoas reafirma o compromisso, que vem sendo honrado, de manter aberto o diálogo com os policiais civis para solucionar o impasse e encerrar a greve da categoria. 

Esse diálogo inclui, como ponto principal, a transparência por parte do governo, expondo, sem entraves, as contas do Estado para que as negociações sejam feitas a partir da realidade financeira de Alagoas. 

Os representantes da categoria sabem que a proposta apresentada pelo Sindicato dos Policiais Civis, que representa um reajuste salarial de 172,68%, é impraticável, sobretudo em uma situação de crise aguda que afeta toda a economia. O Estado não tem como suportar o impacto que esse percentual provocaria. 

A atitude extrema tomada pelo Sindpol, de manter a ocupação do Porto de Maceió, em descumprimento à ordem judicial de desocupação, não contribui para a solução do impasse, traz sérios prejuízos à atividade econômica em Alagoas e constitui grave desobediência à Justiça. É uma forma de pressão que não pode ser aceita. 

O Governo do Estado confia no senso de responsabilidade dos policiais civis e de suas lideranças sindicais. Por isso, espera que as negociações voltem a se dar em clima de normalidade, de forma madura, civilizada e com respeito à ordem pública. Este é um direito da sociedade alagoana, que aprova os avanços conquistados na Segurança Pública, e que o Governo, dentro das suas responsabilidades, haverá de garantir.

Reinvindicações

Ao todo, são 23 itens da pauta de reivindicações. Os policiais querem o piso salarial de 60% da remuneração dos delegados, da revisão do Plano de Cargos, Carreiras e Subsídios (PCCS), o pagamento retroativo das progressões, da implantação imediata das progressões que estão no Atagab-Seplag e do pagamento de risco de vida e de insalubridade.

Volta ao trabalho

Essa semana, os desembargadores Washington Luiz e Alcides Gusmão da Silva determinaram que os grevistas voltassem as suas atividades imediatamente. Mesmo sob pena de multa de 5 mil, que em segunda decisão subiu para 10 mil, a sentença não foi cumprida.

*colaborador