A defesa de Agnaldo Lopes Vasconcelos, acusado de assassinar o capitão da Polícia Militar Rodrigo Rodrigues, espera nos próximos dias obter a decisão sobre o pedido de relaxamento de prisão, que tramita na 9ª Vara Criminal da Capital. Em entrevista ao CadaMinuto, o advogado Lutero Gomes Beleza comentou a versão do crime com base no depoimento prestado à Polícia Civil e externou o sentimento da família pela morte do militar.

A abordagem policial que resultou na morte do oficial ocorreu por volta das 21 horas da noite do sábado (09). De acordo com a defesa, a guarnição chegou ao condomínio e se dirigiu diretamente para residência de Agnaldo Vasconcelos. Os militares chegaram ao local guiados por uma coordenada do GPS de um celular roubado, mas a vítima não reconheceu o acusado.

“A família sente pela morte de um trabalhador. Infelizmente toda operação foi que gerou esse fato, que veio resultar na morte do capitão. A guarnição quando chegou à guarita, em momento algum pediu para fosse feita uma ligação para casa do Agnaldo ou pediram que um dos vigilantes os acompanhassem”, afirma o advogado.

 O advogado confirma que as coordenadas do GPS do telefone apontam aproximadamente onde estaria o aparelho e a trajetória apresentada na Polícia Civil estava mais vinculada a uma esquina do que a outra, onde fica localizada a casa do acusado.

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Devido à abordagem dos policiais, Agnaldo, que estava na companhia da namorada,  suspeitou que fosse um assalto, uma vez que não havia sinal de giroflex ou sonora da veículo da PM.  “Não há como ver quem estava no portão, pois não existe olho mágico e nenhum tipo de janela que você possa abrir e o portão é daquele tipo que corre todo fechado. Ele perguntou quem era por essa área ter um alto índice de assaltos nas casas residenciais. Ele perguntou quem era e uma voz respondeu que era o vigilante”, detalhou.

Agnaldo foi síndico do condomínio durante alguns anos e sempre foi chamado pelos trabalhadores do local pelo nome, fato que reforçou a suspeita de assalto. “Ele não reconheceu a voz e perguntou pela segunda vez quem estava falando foi quando alguém respondeu que a casa estava cercada e que era a polícia”.

Foi neste momento, segundo o advogado, que Agnaldo com medo de ser vítima de um assalto entrou  dentro de casa e pegou arma. “Quando ele saiu já viu um vulto no muro e nervoso deu um disparo para o chão e a pessoas já estava como se fosse pular. Ele deu um tiro para cima e já tinha escutado um disparo”.

Lutero comentou ainda que a perícia constatou disparo de arma de fogo vindo na direção de fora para dentro da casa. Ele rebateu a informação de que o porte de arma do cliente estivesse com o registro vencido, como foi informado pelo comandante da Polícia Militar durante o velório do PM.  

“Infelizmente o capitão agiu totalmente fora dos padrões de abordagens e totalmente desconectado do que a lei exige para que você possa entrar em uma residência. Infelizmente ele como qualquer outra pessoa, nas condições que se apresentaram teria e tem o direito de se defender”, emendou.  

Vítima do roubo de celular não reconheceu Agnaldo

O vizinho de Agnaldo já foi convocado pela Polícia Civil para prestar depoimento sobre os fatos presenciados por ele. No momento da abordagem, a namorada do Agnaldo ligou para mãe relatando o que estava acontecendo, que entrou em contato com a Polícia Militar através do número 190.

A testemunha apareceu na varanda de sua casa após os disparos terem sido efetuados. “Ele não viu o momento em que a polícia chegou nem a abordagem. Saiu na varanda de casa com os gritos de Agnaldo e os com o barulho dos tiros. Foi nesse momento em que ele disse para o Agnaldo que parecia ser a polícia”.

Com o capitão ferido, a guarnição deixou o condomínio para prestar socorro ao militar que foi conduzido para o Hospital Geral do Estado (HGE), onde não resistiu e morreu. Agnaldo foi preso na residência da sogra, localizada no mesmo condomínio.

O aparelho celular não foi encontrado pelos policiais durante vistoria na casa do acusado. Na delegacia, a vítima não reconheceu Agnaldo como autor do roubo do aparelho do celular. “A vítima disse que o assaltante era magro e baixo, características totalmente diferentes das do Agnaldo”.

Nesta terça-feira, ele foi transferido para o Sistema Prisional, onde aguardará a decisão da Justiça sobre o pedido de relaxamento da prisão.

O caso

O capitão foi morto na noite de sábado (09), durante um processo de investigação,  no bairro da Santa Amélia. O PM apurava uma denúncia de produtos roubados numa casa, quando foi alvejado a tiros pelo suspeito e proprietário da residência.

Após ser atingido pelos disparos, ele ainda foi encaminhado para o Hospital Geral do Estado (HGE), mas não resistiu aos ferimentos. Agnaldo Vasconcelos foi atuado pelo crime de homicídio. Caso é investigado por delegado da Força Nacional, cedida para Polícia Civil e a Corregedoria da Polícia Militar.