Familiares dos irmãos Josenildo e Josivaldo Ferreira e do pedreiro Reinaldo Silva prestaram depoimento no Complexo de Delegacias Especializadas (Code), na manhã desta quarta-feira (30). Outro fato que pode prejudicar as investigações do caso é a ausência do exame residuográfico no corpo de Josenildo e Josivaldo. Porém, Polícia Civil e Perícia Oficial divergem sobre o tema.
O procedimento é utilizado para identificar resíduos de pólvora e conforme confirmou a Perícia Oficial, o procedimento não foi realizado já que os irmãos foram socorridos para o Hospital Geral do Estado (HGE) e quando morreram os corpos foram levados para o Instituto Médico Legal (IML). Segundo a Perícia Oficial, o exame precisaria ter sido solicitado pela delegacia que investiga o caso no local.
O coordenador da Delegacia de Homicídios, delegado Egivaldo Lopes, disse ao CadaMinuto que a ausência do exame pode prejudicar o inquérito, mas argumentou que o procedimento poderia ser realizado sem que houvesse necessidade de solicitação do delegado de polícia.
“Quando há casos que existem confrontos com a polícia, automaticamente o perito faz esse exame, mas a doutora Teíla vai a Perícia hoje conversar com o perito que estava de plantão para saber se foi realizado ou não. Mas isso [exame] é fundamental, uma coisa natural de ser feita, não precisa de requerimento nosso”, disse.
Uma comissão de delegados foi designada para apurar o caso. O inquérito é presidido pela delegada Teíla Nogueira e conta com o apoio dos delegados Rebecca Cordeiro e Antônio Henrique Pinto.
O delegado Egivaldo Lopes disse ainda que os policiais também serão convocados para prestar depoimento, mas a data ainda não foi definida. A Polícia Civil aguarda ainda a conclusão dos laudos realizados nas armas e o inquérito poderá ficar pronto em 30 dias, caso não haja pedido de prorrogação.
O tio dos irmãos, Cláudio Silva, disse ao CadaMinuto que a família quer a elucidação do caso e voltou a negar que os sobrinhos tivessem algum envolvimento com o tráfico de drogas. Ele disse que irá junto com outros parentes à sede do Ministério Público Estadual ainda hoje para pedir que o órgão também apure o caso.
Cláudio negou que a família tenha sido ameaçada, já que ontem eles solicitaram segurança individual ao secretário de Segurança Pública.
“Queremos saber onde estão as armas apreendidas e as cápsulas das balas já que a polícia diz que houve confronto. Nós queremos que o caso seja elucidado, que respeitem a memória dos meus sobrinhos e que caso seja preciso seja feito esse exame [residuográfico], nem que retirem os corpos para fazer. Conversando com a família do pedreiro, eles nos disseram que ele tentou defender meus sobrinhos e acabou morto. Nós não iremos descansar enquanto não houver justiça”, declarou.
O caso
Josenildo e Josivaldo acabaram morrendo na última sexta-feira (25), no bairro Village Campestre, quando voltavam da casa de uma tia. A polícia divulgou que os jovens estavam armados e durante a abordagem, teriam reagido, trocado tiros e acabaram morrendo. Reinaldo Silva foi atingido por uma bala perdida e também morreu.
A polícia afirma que a abordagem ocorreu dentro da legalidade e que os policiais do 5º Batalhão receberam a informação de que eles estariam transportando armas do Village para o Benedito Bentes.