O Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol) fez vistorias em várias delegacias da região norte do estado e se deparou com precárias condições de trabalho e insalubridade nos locais. Nas visitas, os dirigentes do sindicato divulgaram a realização da assembleia geral com indicativo de greve que ocorrerá no dia 14 de março, a partir das 13 horas, no auditório do Sindicato dos Urbanitários.

Segundo a assessoria de Comunicação do sindicato, nas delegacias foram encontrados problemas como: infiltrações e rachaduras nas paredes, portas quebradas e com cupins, cadeiras velhas com almofadas rasgadas, condicionadores de ar quebrados, precárias estruturas elétrica e hidráulica, alojamento inadequada com mofos nas paredes, carência de efetivo de policiais civis e vários outros problemas.

Ainda de acordo com a assessoria, há materiais de apreensão entulhados, como motos, carros e outros objetos que acumulam poeiras e tornam o ambiente propício para pragas como escorpiões, mosquitos, ratos e outros insetos. As mobílias são velhas e inapropriadas para ergonomia dos policiais civis.

O Sindicato também flagrou o desvio de função dos policiais civis que deveriam trabalhar apenas na sua função constitucional, que é a investigação, para estarem responsáveis pela custódia de presos, que é o que aconteceu em Porto Calvo onde o policial civil revelou que chegou a passar até 12 horas para levar um preso devido à falta de vaga do sistema prisional, já que a delegacia regional de Matriz não está recebendo detentos por conta da interdição da carceragem.

Interdição

A situação mais caótica se encontra na delegacia de Colônia Leopoldina. Lá se encontram onze presos em uma área sem estrutura com problemas hidráulicos, sem ventilação e temperatura elevada. Os detentos reclamam da falta de água, da alimentação e da justiça.

Por fim, assessoria informou que o Sindpol se reuniu com Juiz da Vara de Colônia, Gilvan de Santana Oliveira, para tratar da interdição da delegacia. O magistrado disse que, nesta semana, irá decidir sobre ação de interdição. Ele ainda explica que tem oito mil processos na região, mas que irá dar prioridade às condições da delegacia, podendo decidir pela interdição da carceragem ao invés da delegacia inteira.

Reformas

Em fevereiro, o Governo do Estado anunciou que planeja reformar, além do que estão em andamento, pelo menos mais 30 unidades da Polícia Civil, garantindo condições adequadas de espaço, reaparelhamento nas delegacias e o consequente fim dos casos de impunidade no Estado.

Desenvolvido em parceria com o corpo técnico da Secretaria de Segurança Pública, da Polícia Civil, consultores, o programa de reestruturação foi dividido em três estágios de execução: com a reforma, a entrega de dez unidades corresponderá a cada estágio.

Tentamos entrar em contato com a assessoria da Polícia Civil, mas não obtivemos êxito até o momento.