A direção do Hospital Geral do Estado (HGE) se pronunciou por meio de nota oficial a respeito da prisão de 13 pessoas apontadas pela Polícia Civil como integrantes de um esquema que beneficiava 22 funerárias na unidade. Na nota, o HGE afirma que não compactua com qualquer ação que direcione famílias de pacientes em óbito para empresas de serviço funerário.

A Polícia Civil deu detalhes das investigações que culminaram com as prisões, durante uma coletiva na manhã desta quinta-feira (07) na sede da Deic. Os delegados Acácio Júnior e Ronilson Medeiros informaram que as funerárias atuavam há mais de 30 anos no HGE.

Foram detidos Rogério Regueira Teixeira, Rogério dos Santos Costa e Marcelo Felipe. Os três eram autônomos, que trabalhavam com a farda do hospital, á serviço das funerárias, recebiam comissões que variavam entre R$ 60 e R$ 100, fazendo a limpeza dos corpos, com acesso irrestrito também no necrotério e Serviço de Verificação de Óbito (SVO).

Após a prisão dos três homens, a polícia chegou a dez proprietários das funerárias, identificados como Marcelo Lúcio Santos Costa, Robson Tadeu Costa, Maria Cícera Lima, Moacir de Araújo, Hudson Soares de Menezes, Liane Régis Lins, José Lins de Souza, José Eduardo Maia, José Carlos Silva e Adeilton Antônio da Silva.

A Polícia Civil informou as funerárias atuavam no HGE com uma escala ilegal. A cada dia, uma diferente, tirando assim, o direito das famílias de escolher onde queria e poderia comprar os caixões, além de fazer o reconhecimento dos corpos.

Na nota, assinada pela direção do HGE e a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), a gerência da unidade afirma que contribuiu para as investigações e que quanto à possibilidade do envolvimento de servidores, todos terão direito a ampla defesa e, caso seja comprovada a participação nas ações ilícitas, eles responderão judicialmente e administrativamente.

Leia na íntegra a nota:

A secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e a gerência do Hospital Geral do Estado (HGE) informam que não compactuam com qualquer ação que direcione famílias de pacientes em óbito para empresas de serviço funerário.

 Salientam que, desde o princípio das investigações, realizadas pela polícia civil de alagoas (PC/AL), vem contribuindo e prestando todos os esclarecimentos necessários às autoridades policiais.

 A quanto a possibilidade do envolvimento de servidores no suposto esquema denunciado pela Polícia Civil de Alagoas, todos terão direito a ampla defesa e, caso seja comprovada a participação nas ações ilícitas, eles responderão judicialmente e administrativamente.

 Por fim, a Sesau e gerência do HGE salientam que, em setembro do ano passado, foi firmada uma parceria inédita com a secretaria de estado da segurança pública (SSP) e o ministério público estadual (MPE), visando regulamentar o fluxo do caminho do cadáver na unidade.

 Com isso foi agilizada a remoção dos corpos de pacientes que entram em óbito na unidade, encaminhando-os ao órgão responsável, a exemplo do instituto médico legal (IML) ou serviço de verificação de óbito (SVO).

 Por meio da portaria conjunta nº 01 de 14 de setembro de 2015, publicada no diário oficial do estado em 23 de setembro do mesmo ano, os pacientes que entram em óbito no HGE e que não tenham sido identificados, são encaminhados para o IML de Maceió, após o preenchimento de documento com os dados necessários por um profissional responsável.