Alagoas tem o pior índice de desenvolvimento humano do Brasil.

A primeira infância dos meninos -quase todos pretos- moradores da favela, vielas, becos  do estado de Alagoas  e que hoje ocupam celas infestadas de violência, como egressos do sistema socioeducativo- foi marcada pelo abandono do poder público.

No inicio do governo  Teotônio Vilela esse menino-hoje com 16/17 anos  contava 8 anos.

Oito  anos como integrante de família desestruturada, sofrendo- na maioria das vezes- toda sorte de abuso doméstico, como social e entrincheirado pela ausência de  políticas públicas eficazes e eficientes  que pudesse ajudá-lo a soerguer do atoleiro das desigualdades.

Faz  oito anos esse  menino vivia com o pé metido na lama- que corre a céu aberto- lá na favela distante em que morava e ainda mora , onde quem manda é o tráfico de drogas, o poder paralelo.

Em oito  anos esse menino foi – premeditadamente-excluído da cidadania.

Sem escola de qualidade. Sem saúde. Sem esporte ou lazer. Sem acessos e oportunidades, tudo isso atrelado ao racismo que mata.

O racismo-literalmente- ignorado nas muitas vertentes das secretarias do governo Teotonio Vilela, apartadas em cubículos políticos partidários, sem o tino político, ou o olhar visceral para a problemática que é grande e mortal.

Os números do Mapa da Violência 2014 mostram que o estado é o que mais mata no Brasil: mais de mil assassinatos este ano, 70% entre 18 e 24 anos.

Desses assassinatos  negros são 91,5% das vítimas de homicídios. Números bem acima do patamar nacional que é de 68,1%.

A vitimização entre jovens negros tem índices muito altos, beirando um cenário de extermínio e continua a crescer em Alagoas.

A vida do jovem negro não teve  a mínima importância no governo que se encerra-formalmente, em 1 de janeiro

Terá?

O Plano Juventude Viva  foi ( continuará?)  no governo de Alagoas,  uma escancarada cuspida de escárnio no rosto das mães órfãs.

Uma grande parcela dos jovens do Plano  Juventude Viva reside no sistema socioeducativo, como  produto  do flagrante abandono do estado.

Jovens ( poderia ser seu filho) vivendo   a cruel agonia de espancamentos  naturalizados e  contínuos. Uma mãe desesperada diz: Eles dão choque todo dia nos *c do meu filho.  

Jovens pretos como mercadorias baratas, carnes pretas no açougue da violência racista.

Jovens negros e pobres de Alagoas ( uma pequena África sequelada) sequestrados e devolvidos às famílias  como corpos mortos.

Em Alagoas para  cada jovem branco assassinado morrem proporcionalmente mais de 13 jovens negros.

Estamos encurralados.

Continuaremos?