A Comissão de Direitos Humanos da OAB realizou na manhã desta sexta-feira (12), mais uma ato público para cobrar a solução do caso envolvendo o jovem Davi da Silva, que completou 108 dias. Porém, após este caso emblemático envolvendo a Polícia Militar, o órgão registrou novos casos de desaparecimentos na capital alagoana.

Durante o ato que aconteceu na antiga sede da OAB, no Centro de Maceió, a família de Davi, representada pelo primo Magno Francisco, cobrou mais uma vez a resolução do caso.

“São 108 dias e nada de novidade. Nós sabemos que os militares envolvidos naquela abordagem foram identificados, mas nada aconteceu. Vamos insistir para que este caso seja sim solucionado e acabem com o extermínio da juventude pobre em Alagoas”, criticou.

Davi da Silva desapareceu há 108 dias após ser alvo de uma abordagem de rotina da Rádio Patrulha no Benedito Bentes. Além da família do jovem de 17 anos, estiveram presentes no ato mais três famílias de desaparecidos.

Jonielson da Silva Barbosa, 35 anos, desapareceu no dia5 de agosto no Conjunto Denisson Menezes e não se teve mais notícias. A tia do desaparecido, Ilde Barbosa, afirma que o sobrinho tem problemas de saúde e ainda apontou uma vizinho como principal testemunha ou acusado.

“Ele tem problema mental e glaucoma. Ele saiu do Denisson Menezes, recebendo carona de um vizinho, que disse ter deixado ele em frente a Ufal e não soube mais notícias. Em uma audiência, esse rapaz não compareceu e mandou seu advogado e não falou mais nada”, afirmou.

Outro desaparecido foi José Augusto dos Santos, 44 anos, que saiu do conjunto Santos Dumont, no Tabuleiro e não mais apareceu. Segundo a mãe, o homem era divorciado e apresentava um quadro de depressão.

Por fim, outro desaparecimento foi registrado pela família de Cerisvaldo Roque dos Santos, 40 anos, casado e pai de três filhos. Segundo a mãe, ele passava por um tratamento contra o alcoolismo em uma comunidade de Marechal Deodoro e após fugir do local, não mais apareceu.

A vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Paulo Pereira, afirmou que é uma situação inédita e que vários casos surgiram após o desaparecimento de Davi da Silva.

“Estamos acompanhando uma situação inédita, na qual a OAB, através da Comissão de Direitos Humanos, vê a sua responsabilidade aumentar. Já são oito casos e as Polícias Militar e Civil estão encaminhando casos para nós. Mas, estamos aqui pare cobrar informações, empenho das autoridades e impedir que esses casos caiam no esquecimento”, afirmou.

*Colaborador