Atualizada às 18h37

O suplente de vereador Eliseu de Oliveira Barbosa Filho, conhecido como Júnior Barbosa, é o principal suspeito de executar dois menores, de 16 e de 15 anos, por enforcamento, em 2011. Além do suplente, são acusados de participação nos crimes, o segurança do parlamentar, o coveiro, um ex-administrador do cemitério e mais uma pessoa. O corpo de um dos menores, enterrado em uma cova rasa, está sendo exumado na manhã desta quarta-feira (30).

De acordo com informações apuradas pelo CadaMinuto, Eliseu é suspeito de assassinar o menor A.J.S, 16, o “Ninho”, e um menor de 15 anos. Os menores foram capturados na Praça Pingo D'Água, no bairro do Trapiche, e mortos, em 2011. 

No primeiro crime, o suplente teria capturado o menor A.J.S., levado até a sua residência, enforcado e levado o corpo até o Pólo de Marechal Deodoro, onde ateou fogo. Cinco dias após o crime, o corpo foi encontrado carbonizado por equipes do Instituto Médico Legal (IML).

Quinze dias após a execução do jovem, Eliseu teria capturado, também na Praça Pingo D’Água, um menor de 15 anos de idade. No segundo crime, o Júnior Barbosa, que já havia sido administrador do cemitério de São José na gestão anterior, teria mantido contato com o coveiro, identificado apenas como André, para enterrar o corpo do menor em uma cova rasa.

Diante dos fatos, nesta quarta-feira (30), a Justiça pediu a prisão temporária de 30 dias para o coveiro.

O corpo do menor está sendo exumado na manhã desta quarta-feira (30). Em contato com a Perícia Oficial do Estado, o CadaMinuto foi informado de que o caso corre em segredo de justiça.

De acordo com a Polícia Civil, o Delegado Denisson Albuquerque está investigando o caso.

O suplente é considerado foragido da justiça. Júnior Barbosa foi candidato a vereador e ficou conhecido em Maceió pelo PC do B na coligação Melhor para Maceió.

Exame de DNA

Sobre as ossadas humanas encontrados no cemitério município São José a assessoria da Perícia Oficial informou que “durante exumação realizada por equipes do Instituto Médico Legal de Maceió e do Instituto de Criminalística serão encaminhadas para laboratório de antropologia do IML. Todos os ossos encontrados estão sendo recolhidos e passarão por um rigoroso processo de higienização, catalogação e armazenagem, onde ficaram esperando a solicitação de exame especifico para confronto genético”.

 “Constatamos a materialidade do fato da existência dos corpos no local indicado, a identificação das ossadas ficará a cargo do IML”, explicou o perito criminal Clísney Oliveira que compôs a equipe da exumação.

“O diretor do IML Luiz Mansur e o médico legista Kleber Santana, explicaram que esta exumação é o primeiro caso registrado no órgão como inumação clandestina dentro de um cemitério oficial. Outro fato que chamou a atenção dos médicos é que inicialmente o trabalho seria realizado apenas para encontrar um corpo, mas durante as escavações outro corpo foi localizado” informou a assessoria da Perícia Oficial.

“Através das informações colhidas com a testemunha, que teria participado de uma sepultação clandestina, criou-se um roteiro que ao ser seguido confirmou a presença do primeiro corpo como também a existência de novos fatos que irão robustecer o inquérito policial responsável pela investigação do caso”, afirmou Kleber Santana.

O médico legista ainda explicou que todo o trabalho de exumação teve que ser realizado de forma minuciosa, com a retirada lenta de camadas de areia para não descaracterizar os restos mortais. “Isso se faz necessário para garantir as medidas antropométricas dos corpos que permite ao perito médico legista especificar a idade, altura, e o sexo da vítima. Após encontrar o esqueleto a nossa equipe fotografa, e retira peça por peça, que são depositadas em um saco para serem encaminhadas para o IML”, disse o médico.

O laudo cadavérico das ossadas serão concluídos dentro do prazo legal de 15 dias, podendo este ser ampliado para 30 dias. Já a identificação só será possível através do exame da arcada dentária e por exame de DNA forense, mas, em ambos os casos, os exames só serão realizados quando forem localizadas supostas famílias das vítimas.