O juiz Ferdinando Scremin Neto decretou, nesta quarta-feira (28), a prisão de Silvino Alves da Silva, acusado de abusar sexualmente de 16 crianças na cidade de Palmeira dos Índios. O magistrado atendeu à solicitação do delegado Antônio Rosalvo, que investiga o caso.
“Recebemos o pedido e de pronto decidimos pela decretação da prisão”, disse o juiz à reportagem do CadaMinuto. “Recebi a solicitação das mãos do próprio delegado, que já está em diligências para localizar o acusado”, completou Scremin Neto.
Além dos 16 casos suspeitos de abuso sexual, a Polícia trabalha com a possibilidade de o acusado ter participação em mais 14 ocorrências de crianças violentadas.
O caso
Os abusos às crianças de Palmeira dos Índios começaram a ser identificados a partir de um caso isolado. Uma garota vinha apresentando problemas de saúde com sintomas suspeitos e, preocupada, a mãe a levou à Unidade Básica do Programa Saúde da Família (PSF) situada na Villa João XXIII. Examinada inicialmente por uma enfermeira, a criança apresentava sinais típicos de uma doença sexualmente transmissível, ao contrário do que pensava a genitora.
A equipe médica solicitou exames específicos e, após um tempo, foi constatado que a menor era portadora do HPV (papilomavírus humano), cuja principal forma de transmissão é pela via sexual. A partir daí, apareceram mais casos como este entre crianças e o Conselho Tutelar de Palmeira dos Índios foi acionado, já que havia suspeitas de que a contaminação tinha sido em virtude de abuso sexual.
De acordo com a conselheira tutelar Silvana Torres, assim que os demais casos foram surgindo, as famílias das vítimas foram ouvidas e, em comum, foi dito que as crianças mantinham bastante contato com Silvino dos Santos Silva, um morador da Villa João XXIII que vendia doces e se utilizava disto para atrair crianças. Segundo informações da população, o acusado também oferecia dinheiro e já teria, inclusive, dormido com menores na sua própria casa.
No último dia 20, foi realizada no município uma grande caminhada com estudantes, que partiram da Villa João XXIII ao centro do município. O objetivo foi alertar os moradores de Palmeira dos Índios sobre a incidência deste crime na cidade e o bairro foi escolhido por ser o local onde os casos foram registrados. A caminhada fez parte da programação alusiva ao Dia Mundial do Combate ao Abuso e à Exploração de Crianças e Adolescentes e foi realizada em conjunto pelas secretarias municipais de Assistência Social, Educação e Saúde, que contaram com o apoio do Conselho Tutelar e dos Centros de Referência e Especializado em Assistência Social (Creas/Cras).
*colaborador
