Menos de 15 dias após assassinar com um tiro na cabeça o empresário Guilherme Brandão, o gerente financeiro da casa de shows Maikai, Marcelo Carnaúba, foi indiciado por homicídio qualificado. O delegado Cícero Lima, que preside o inquérito, disse nesta quarta-feira (12) que as investigações foram concluídas. Ele não descartou a possibilidade de uma nova investigação sobre desvio de dinheiro do estabelecimento.

O delegado conversou com a imprensa enquanto aguardava a chegada de Marcelo para prestar novo depoimento. Réu confesso no crime, ele atualmente está detido no presido Baldomero Cavalcanti. Segundo Cícero Lima, apesar de ter confessado o crime, Marcelo ainda não deu justificativas para o homicídio nem sobre supostos desvios financeiros na casa.

“Marcelo confessou que matou o melhor amigo e patrão dele, porém ele não deu justificativas para o crime. Eu espero que ele aponte estes detalhes hoje durante seu depoimento para que eu possa enviar para a Justiça. Como ele confessou, não haverá reconstituição do crime e ele será indiciado por homicídio qualificado”, explicou o delegado.

Sobre as investigações a respeito de supostos desvios financeiros feitos por Marcelo, Cícero Lima não quis comentar o caso, mas não descartou a possibilidade de ser aberta uma nova investigação para apurar o fato. A Delegacia de Homicídios ainda aguarda o resultado dos laudos periciais de balística e a arma do crime, além do laudo cadavérico de Guilherme Brandão.

O depoimento de hoje acontecem para complementar os autos que serão encaminhados à Justiça. A intenção da polícia neste momento é confirmar a tese de homicídio qualificado e derrubar a possibilidade de enquadrar o ex-gerente financeiro no crime de homicídio simples. A pena prevista fica entre 12 e 30 anos em regime fechado.

“Sobre novas investigações sobre os desvios, ouvi apenas um contador que não sabia de detalhes. Outras pessoas serão ouvidas e caso haja necessidade, ficará a cargo do doutor Egivaldo Lopes, do 2º Distrito a condução dessas novas investigações”, completou.

O crime

Guilherme foi assassinado com um tiro na cabeça dentro do escritório da casa de shows no dia 26 de fevereiro. No primeiro momento, o gerente Marcelo Carnaúba chegou a afirmar que dois homens armados invadiram o estabelecimento para realizar um assalto e o empresário teria reagido.

Durante as investigações, a polícia detectou que Marcelo cometeu o crime após ter tido uma discussão com Guilherme no dia anterior. Em depoimento ele confessou o crime e disse que comprou uma arma e além de alterar a cena do crime mentiu quando disse que dois homens cometeram o crime.

A motivação para o crime, segundo as investigações seria de que Guilherme teria descoberto um esquema de desvio de dinheiro do Maikai e teria demitido o gerente. Revoltado com a situação, ele organizou o crime.