A captura de dois tubarões na costa de Alagoas causou uma grande discussão nas redes socais sobre a pesca os possíveis perigos aos banhistas que frequentam as praias alagoanas. O professor da Universidade Federal de Alagoas e especialista em tubarões, Claúdio Sampaio, afirma que a espécie apresenta risco muito baixo à população alagoana.
Sampaio salientou que os casos ocorridos de ataques de tubarões em Recife não podem ser colocados como exemplo, já que na que na capital Pernambucana se trata de um fato isolado e de característica possivelmente provocada pela construção do Porto de Suape. Segundo ele, na costa alagoana sempre existiu a presença de tubarões de grande porte, como os que foram capturados, porém foram poucos os registros sobre ataques.
“A captura desses tubarões não foi uma grande surpresa, pois eles moram no litoral há milhares de anos. O que aconteceu é que essas capturas foram divulgadas em massa nas redes sociais. As pessoas ficam surpresas, por se tratar de um animal de grande porte”, explicou.
O professor disse que a pesca e a comercialização da carne do tubarão quando realizadas por pescadores cadastrados pelo IBAMA, são totalmente regularizadas, no entanto, ele ressaltou que a constante retirada desses animais do mar causa um desequilíbrio no meio em que eles vivem.
Segundo Sampaio, a reprodução de um tubarão demora a ocorrer, pois a espécie alcança a idade sexual somente entre 16 e 18 anos, e a gestação de um filhote pode demorar mais de nove meses. “Eles têm pouca reprodução de filhotes, diferentemente de uma sardinha ou outro tipo de peixe. Além disso, os tubarões são responsáveis por manter o equilíbrio no meio em que eles vivem, como por exemplo, eliminando peixes doentes”, salientou.
Com isso, o especialista garante que as capturas não podem se tornar motivo de mudança no hábito para os banhistas. “O que precisa acontecer é uma mudança no comportamento das pessoas que frequentam as praias em não jogar lixo e preservar aquele ambiente. É mais arriscado para os banhistas um veículo circulando na areia, como é visto aqui em Alagoas e outros estados”, afirmou.
