É bem verdade que as Instituições são reflexo da sociedade. E, fatalmente, a falência das Instituições reflete, sim, a falência da sociedade. Vivemos a bestialidade, como se a chegada do “futuro da nação” nos surpreendesse com um povo desalmado, embrutecido, cansado e intolerante.

Eis a sociedade que somos, eis os filhos que criamos e os frutos que colhemos. Obviamente que a falência de sociedade (e das Instituições) não ocorreu do nada e por nada, mas é resultado de anos e anos de descaso com as únicas coisas que podem salvar pessoas: educação e valores.

O japonês passou por fortes provações depois da derrota na segunda guerra mundial. Foram duas bombas atômicas, extermínio, estupro, abusos e completa anulação política e militar, mas a educação e valores, como a humildade, resiliência, persistência e determinação para o trabalho, fizeram com que o japonês trocasse o rancor pelo aperfeiçoamento dos costumes ocidentais. Hoje são o que são.

A Polônia, por sua vez, já foi invadida tantas vezes, teve sua cultura usurpada e seu povo dizimado por tantos “conquistadores”, mas não se encontra ali vestígios da maldade do passado no trato social. Contrariamente, o polonês é povo amável e gentil, sempre disposto a ajudar com um belo sorriso no rosto.

Mas e nós? Seremos sempre reféns do passado? Explorados por europeus, índios dizimados, negros escravizados, mulheres subjugadas, militares torturadores... Vivemos do passado. Somos vítimas de um passado esquecido e que se repete diariamente. Bandidos ditam as regras do convívio social, estado explora o cidadão e o pobre quer ser rico consumindo, não por qualidade de vida, mas para ser melhor do que outros.

Uma geração inteira sendo consumida pelas drogas. Excluídos, filhos de famílias desajustadas, menores abandonados, maiores solitários, uma sociedade inteira que precisa se entorpecer para sentir-se pertencente. Marginais que se “marginalizam”, que se excluem e que preferem “paraísos artificiais” à selvageria do capitalismo, do trabalho extenuante.

Selvageria esta que é realimentada. Banditismo do tráfico, pirataria, poder pelo poder, dinheiro para comprar status, comprar pessoas, comprar felicidade.

Certamente, as Instituições refletem a sociedade atual, elas são feitas de pessoas. E os seres humanos são falhos, perfeitos em suas fraquezas, mas capazes de aprender, de escolher e de se reinventar. Não é possível que “toalhas sejam jogadas” como se alternativas não houvesse.

Suicídio coletivo é o que vivemos. Optamos por aceitar a realidade, adaptamos nossos costumes, engolimos as regras do jogo e esperamos, esperamos que a morte que nos espreita, nos surpreenda antes do fim!!