Um fato no mínimo inusitado veio à tona após a elucidação do assassinato da jovem Roberta Dias, seqüestrada e assinada em 2012 na cidade de Penedo. O policial civil Carlos Welber Freire Cardoso, acusado de participação no crime, foi homenageado em 2012 no Palácio República dos Palmares, pelos bons serviços prestados a sociedade e no combate ao crime em Alagoas.

A homenagem aconteceu cerca de 15 dias após o sumiço da jovem Roberta Dias, quando o policial civil Carlos Welber, juntamente com o delegado da regional de Penedo, Rubem Natário, receberam o Troféu Tiradentes das mãos do Secretário de Estado de Defesa Social, Dário César, por terem se destacado no combate ao crime em Alagoas.

Na oportunidade, a homenagem foi realizada pela primeira vez, com regras estipuladas em portaria do secretário Dário César em que cada Região Integrada de Segurança Pública (Risp) e as Unidades e Departamentos Especializados escolheriam o nome de um policial civil e de um militar que se destacaram no trabalho para a redução da criminalidade.

Naquela época, tanto o agente Carlos Welber, quanto o delegado Rubem Natário, estavam à frente da investigação do sumiço da jovem Roberta Dias, que só veio ser solucionado mais de um ano depois, tendo o policial como acusado de participação no crime.

Na última semana, após uma operação realizada na cidade de Penedo, nove pessoas foram presas acusadas de participação em homicídios na região, incluindo o de Roberta Dias, além do tráfico de drogas.

Segundo o coordenador da Delegacia de Homicídios em Maceió, Cícero Lima, Carlos Welber, juntamente com dois outros policiais participaram do sequestro e possivelmente do assassinato, uma vez que o corpo da jovem não foi encontrado. Além disso, houve acusação de facilitação ao tráfico de drogas dentro da Delegacia Regional de Penedo, que era comandada na época, pelo delegado Rubem Natário.

Relembre o caso

Roberta foi vista pela última vez em Penedo no dia 11 de abril de 2012 quando saiu de casa para realizar um exame pré-natal. A família contou que antes de desaparecer, ela foi vista na casa do namorado e depois na companhia de uma amiga que a acompanhou na consulta. Depois disso, ela nunca mais foi vista.

O namorado de Roberta, pai do filho que ela esperava, chegou a ser apontado como suspeito pela polícia, mas ele negou qualquer pressão e afirmou que não sabia da gravidez da namorada.

O celular da jovem foi encontrado dois meses depois de seu desaparecimento em um terreno baldio próximo á unidade de saúde. O aparelho foi revendido e recuperado tempo depois. A Polícia Civil em Penedo chegou a interrogar o namorado, a amiga e familiares de Roberta, mas em nenhum dos depoimentos foi encontrado algum detalhe que ajudasse a solucionar o caso.

O computador e o telefone da jovem também chegaram a ser periciados. Ainda no ano passado, um corpo com características semelhantes ao da jovem foi encontrado em Coruripe e a polícia chegou a suspeitar que fosse Roberta. Porém, os exames mostraram que não se tratava da jovem desaparecida.

O caso voltou à tona após a desembargadora Elisabeth Carvalho cobrar a elucidação do caso durante uma sessão do Pleno do Tribunal de Justiça em abril deste ano.

Também em abril, familiares e amigos da jovem concederam entrevista ao CadaMinuto. A irmã de Roberta, Amanda Costa Dias, relatou que foi um ano muito difícil para família, que vem sofrendo com o “silêncio” da Polícia Civil. A investigação do caso, coordenada pelo titular da Delegacia Regional de Penedo, Rubéns Natário, foi entregue à Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic). Segundo Amanda, mesmo com a Deic à frente o caso nada mudou sobre as respostas dadas pela Polícia.