Os integrantes do Conselho Estadual de Segurança Pública (Conseg) deliberaram, por unanimidade, pelo afastamento do delegado Rubem Natário (ex-titular da Delegacia Regional de Penedo), lotado na Delegacia de Junqueiro, da função durante 90 dias, prazo que pode ser prorrogado. O presidente do Conseg, juiz Maurício Brêda explicou que a determinação deve ser cumprida assim que a decisão for publicada no Diário Oficial do Estado e encaminhada à direção da Polícia Civil de Alagoas (PC/AL).

Brêda disse que o delegado deverá permanecer afastado da função durante o procedimento administrativo instaurado pela Corregedoria da PC após a descoberta que a delegacia de Penedo era utilizada como “boca de fumo”. Em entrevista coletiva à imprensa na sexta-feira passada (06), o coordenador da Delegacia de Homicídios, delegado Cícero Lima, afirmou que Natário estava sendo investigado por suspeita de omissão.

Lima disse ainda que a família da grávida Roberta Dias – cujo assassinato, a mando da sogra, teve a participação de policiais civis – acusa Rubem Natário de desviar o foco das investigações. Ao todo, onze pessoas foram presas em Penedo acusadas de envolvimento no homicídio e em tráfico de drogas.

Por meio de Nota Oficial, a Associação dos Delegados da Polícia Civil de Alagoas (Adepol) prestou solidariedade a Rubem Natário, classificando as declarações de Lima de “infelizes e precipitadas”. A nota informou ainda que foi o próprio Natário que solicitou a entrada da Divisão Especial de Investigação e Capturas (Deic) no caso Roberta.

Sobre o tráfico de drogas nas dependências da delegacia, o comunicado destacou que o delegado Rubem Natário “jamais participou ou permitiu que qualquer das delegacias em que foi titular fosse usada para qualquer fim ilícito”.

Após a repercussão de sua fala, na tarde desta segunda-feira (09), Cícero Lima voltou atrás e negou - por meio de uma nota divulgada pela assessoria da Polícia Civil - ter tido que Natário estava sendo investigado por suposta omissão e envolvimento no tráfico de drogas na Delegacia Regional de Penedo, onde era titular.

 “Se algum policial da Delegacia de Homicídios se envolver em algum ilícito penal, isto não quer dizer que eu, como gestor da referida delegacia, esteja também envolvido no ilícito. Fato semelhante é o que ocorreu na Regional de Penedo. Nos autos, inclusive, não consta o envolvimento de Rubens Natário em crimes”, destacou.